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Mais de 16% dos portugueses dizem que são racistas

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Antonio Pedro Ferreira

Os resultados confirmam as teses académicas segundo as quais em Portugal é política e socialmente incorreto assumir publicamente comportamentos baseados na cor da pele

A pergunta da Eurosondagem é clara e direta: “Considera-se racista?” A resposta de 16,4% dos inquiridos não deixa de ser brutal e surpreendente: “Sim, sou racista”.

A grande maioria (72,9 %), responde que não são racistas e quase 11% dos entrevistados não sabem ou não respondem.

Estes resultados confirmam as teses académicas segundo as quais em Portugal é política e socialmente incorreto assumir publicamente comportamentos baseados na cor da pele.

Repare-se que, à pergunta “Acha que os portugueses são racistas?”, o “não” desce para 44,5% e o “sim” sobe para 43,7 %.

Quase 60 por cento dos inquiridos aceitariam que o filho ou a filha namorasse com alguém negro. Pelo contrário, 26,1% respondem que não aceitariam apoiar tal hipótese. Os restantes 14,4% não sabem ou não querem responder sobre o que fariam numa situação dessas.

Cruzando perguntas e respostas, conclui-se que a grande maioria dos portugueses não assume ser racista, mas, uma grande percentagem (43,7%) considera que o racismo existe em Portugal, mas está nos “outros”.

Este estudo de opinião foi realizado para o programa que a SIC vai estrear na próxima segunda-feira. O programa “E Se Fosse Consigo?”, que marca o regresso de Conceição Lino à informação do canal, pretende confrontar os portugueses com os seus próprios preconceitos. O primeiro tema é precisamente sobre o racismo em Portugal. O programa será emitido na SIC e na SIC Notícias em simultâneo, seguindo-se um debate no canal de informação.

FICHA TÉCNICA

Estudo de opinião efetuado pela Eurosondagem S.A. para o Expresso e SIC, de 7 a 13 de ABRIL de 2016. Entrevistas telefónicas, realizadas por entrevistadores selecionados e supervisionados. O universo é a população com 18 anos ou mais, residente em Portugal Continental e habitando em lares com telefone da rede fixa. A amostra foi estratificada por região: Norte (20,5%) — A.M. do Porto (14,4%); Centro (28,3%) — A.M. de Lisboa (27%) e Sul (9,8%), num total de 1026 entrevistas validadas. Foram efetuadas 1237 tentativas de entrevistas e, destas, 211 (17,1%) não aceitaram colaborar neste estudo. A escolha do lar foi aleatória nas listas telefónicas e o entrevistado, em cada agregado familiar, o elemento que fez anos há menos tempo, e desta forma resultou, em termos de sexo: feminino — 50,3%; masculino — 32,2% e no que concerne à faixa etária dos 18 aos 30 anos — 17,5%; dos 31 aos 59 — 52,4%; com 60 anos ou mais — 30,9%. O erro máximo da amostra é de 3,06%, para um grau de probabilidade de 95%. Um exemplar deste estudo de opinião está depositado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.