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Farmácias com mais serviços aproximam-se da população

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Kenneth Kaitin falou de manhã sobre a evolução do investimento na Investigação e Desenvolvimento

Alberto Frias

No encerramento do 12.º Congresso da Associação Nacional de Farmácias, a que o Expresso se associou, a inovação nas tecnologias de saúde e as alterações que as farmácias conhecem na sua relação com os governos foram o destaque do dia

Como renovar o papel da indústria farmacêutico e responder às novas necessidades dos serviços de saúde nacionais? Foi a questão que marcou o debate intitulado "Inovar na Contratualização", no final do 12.º Congresso da Associação Nacional de Farmácias.

Moderado pelo diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro, o plenário recorreu a especialistas internacionais para conhecer diferentes modelos estruturais que tentam responder a esta temática. George Tambassis, presidente do Pharmacy Guild of Australia, destacou a importância do Community Pharmacy Agreement - um acordo "único no mundo" que existe há 25 anos e vai na sua sexta renovação com o governo australiano - para manter um relação estreita com o Estado de alargamento e troca de serviços, sempre para "benefício mútuo". Rajesh Patel, da direcção da National Pharmacy Association britânica, dedicou a sua intervenção a mostrar a influência dos constrangimentos económicos e sociais na assunção de um novo papel das farmácias, "mais próximas dos doentes" e capazes de "assumir serviços dos cuidados secundários."

Do lado português, Miguel Gouveia, especialista em economia da Universidade Católica Portuguesa, vincou a sua crença no "enorme potencial na rede nacional de farmácias comunitárias". Quando o envelhecimento da população é um fator de sobrecarregamento dos serviços de saúde, torna-se "crucial garantir uma boa adesão à terapêutica." E as "farmácias podem contribuir." Para que esta transformação seja possível, é essencial que "os modelos de renumeração sejam sustentáveis", sustenta Dennis Helling, da Colorado Skaggs School of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences.

Durante a manhã, Kenneth Kaitin, do Tufts Center for the Study of Drug Development nos EUA, revelou que a indústria farmacêutica "não está a gerar lucros suficientes para acompanhar os custos cresccentes de investigação e desenvolvimento". No decurso do painel dedicado a "Inovar nas Tecnologias de Saúde", afirmou tratar-se do "maior desafio que se enfrenta para o futuro". De acordo com o especialista, a "aposta em parcerias dentro dos cuidados de saúde" e "um papel redistribuidor da regulação" podem ser alguns dos caminhos a seguir.

O lado regulador foi representado por Hélder Mota Filipe, Membro do Conselho Directivo do Infarmed, que acredita que o grande desafio é a inovação na "investigação clínica, introdução de medicamentos no mercado e financiamento." O preço com que muitos dos fármacos chegam ao mercado "tem de mudar" na sua opinião, com um esforco concertado "a nível europeu". Para António Vaz Carneiro, do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, o importante é que se "envolva permanentemente o doente" para se criarem estruturas de cuidados "mais compreensivas".

Já ontem no arranque do Congresso, o ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, anunciou que vai ser pago um valor fixo por cada embalagem de medicamentos genéricos dispensada nas farmácias. O valor ainda não é conhecido, mas tem como objetivo aumentar a quota de medicamento de 'linha branca' no mercado português. Da parte da tarde, Philip Evans, um dos responsáveis pelo Boston Consulting Group, identificou o big data, a inteligência artificial, a Internet of Things e os dispositivos móveis como as quatro "megatendências" que marcam os cuidados de saúde a nível global.