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Reportagem multimédia do Expresso vence European Press Prize

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Joana Beleza, Hugo Franco e Raquel Moleiro em Praga, onde receberam o prémio

DR

European Press Prize é considerado um dos prémios de jornalismo mais importantes da Europa. Os galardões foram entregues esta quinta-feira em Praga. Expresso ganhou na categoria de Inovação com a reportagem 'Matar e Morrer por Alá'

A reportagem multimédia do Expresso Matar e Morrer por Alá: Cinco Portugueses no Estado Islâmico” venceu esta quinta-feira o prémio de Inovação do European Press Prize, considerado um dos mais prestigiados prémios de jornalismo da Europa.

Há quatro anos que a organização elege os melhores trabalhos de investigação jornalística dos 47 países que integram o Conselho da Europa. A cerimónia para a entrega do troféu realizou-se em Praga, na República Checa, no Studio Hrdinu, um imponente teatro da capital checa.

Os galardões foram entregues pela primeira vez em 2012, em Amesterdão. As cerimónias seguintes tiveram lugar nas sedes da Reuters, em Londres ou do jornal dinamarquês Politiken, em Copenhaga.

Os vencedores das outras categorias do European Press Prize 2016 são oriundos de vários pontos do continente.

O The Commentator Award, destinado ao melhor comentador ou colunista, foi ganho pelo comentador do Financial Times, o britânico Gideon Rachman.

No The Distinguished Writing Award, que premeia a melhor reportagem escrita, venceu a jornalista polaca Justyna Kopinska, com um trabalho sobre crianças maltratadas num hospício. E cujos agressores nunca foram levados à Justiça.

O The Investigative Reporting Award, que distingue o trabalho que tenha feito descobertas consideradas muito importantes, foi recebido Marion Quillard, autora de uma grande reportagem sobre violação no Congo, um crime que se tornou num negócio em larga escala naquele país africano.

E o Special Award, destinado a trabalhos considerados de "particular excelência", foi dedicado à crise humanitária que tem afetado a Europa: a dos milhares de refugiados que têm fugido à guerra na Síria e noutros pontos do médio oriente. Os jornalistas vencedores são Amrai Cohen e Henning Sussebach, da Alemanha; Gert Van Langendock, da Holanda; e Anders Fjellberg e Tomm W. Christiansen.

O comité dos prémios é liderado por Peter Preston, diretor do The Guardian Foundation, jornalista que editou o jornal The Guardian, em Londres, durante vinte anos. Entre o júri estão nomes ligados a jornais como o The Sunday Times, Le Monde ou El País.

É a primeira vez que um trabalho jornalístico realizado em Portugal vence o European Press Prize. Nunca uma reportagem de jornalistas portugueses tinha sequer sido nomeada para qualquer das categorias.

Este ano concorreram com o Expresso, no mesmo segmento da Inovação, vários trabalhos multimédia da autoria de jornalistas da Alemanha, Itália, Espanha, Suécia e Noruega. Os temas são tão diversos como os da discrepância entre preços e qualidade de tratamento nos serviços de saúde, a pornografia infantil ou o lixo eletrónico espalhado por todo o globo.

A reportagem vencedora do ano passado, também na categoria de Inovação, era um olhar sobre os fluxos de imigração na Europa. Intitulada 'The Migrants Files', foi produzida por um consórcio internacional de repórteres de Itália, Suíça, França, Suécia, Espanha e Grécia. O trabalho segue a pista dos milhares de refugiados que chegam à Europa todos os dias, contabilizando as mortes nos mares europeus, bem como os lucros obtidos pelas redes ilegais espalhadas por vários continentes.

A reportagem multimédia do Expresso, publicada em língua portuguesa e inglesa em dezembro de 2014, venceu também a edição de 2014 do Prémio de Reportagem Cáceres Monteiro. O trabalho, que foi eleito pelo comité supra editorial do Grupo Impresa entre um total de 29 candidaturas, desvenda o percurso, a conversão e o recrutamento de cinco portugueses que se juntaram ao autodenominado Estado Islâmico, um dos quais já morreu entretanto em combate.

Ao longo do artigo multimédia é pormenorizado o processo de conversão dos cinco jiadistas portugueses retratados, que foram recrutados em Londres, cidade onde parte da reportagem se desenvolve.

O trabalho foi premiado em 2015 com a medalha de prata na categoria “grafismo para especiais” e de bronze para “melhor cobertura multimédia” nos prémios espanhóis ÑH12, para o melhor que se faz no design na Peninsula Ibérica.

Mais recentemente, “Matar e Morrer por Alá: Cinco Portugueses no Estado Islâmico” ganhou também o Prémio de Ciberjornalismo 2015 na categoria Reportagem Multimédia, atribuído pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).