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Parlamento Europeu aprova renovação de licença do glifosato por 7 anos

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António Pedro Ferreira

Apesar de autorizar por mais sete anos o uso deste herbicida na agrícultura, Estrasburgo quer vê-lo banido dos espaços públicos urbanos. A decisão não é vinculativa. A palavra final será assumida pela Comissão Europeia em junho

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Por 374 votos a favor, 225 contra e 102 abstenções, o Parlamento Europeu aprovou, esta quarta-feira, em Estrasburgo, a renovação da licença de comercialização do glifosato no espaço comunitário por mais sete anos, mas só para uso agrícola profissional.

A resolução não-vinculativa encurta para metade a proposta que estava em cima da mesa e pretendia uma extensão da licença deste herbicida, que mata ervas daninhas, por mais 15 anos.

Apesar de terem autorizado por mais sete anos o uso deste herbicida na agrícultura, os eurodeputados querem vê-lo banido dos parques, passeios e jardins públicos. Uma decisão final será tomada pela Comissão Europeia em junho (a licença expira a 30 de junho deste ano), depois de avaliadas as conclusões do comité científico, que tem uma reunião agendada para 18 e 19 de maio, em Bruxelas.

Recorde-se que Organização Mundial de Saúde considera que o glifosato é composto por substâncias "provavelmente cancerígenas para o ser humano", mas a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) tem desvalorizado esta informação, argumentando que "o alegado potencial carcinogénico não está ligado ao glifosato, mas a um coformulante (taloamina) em certos produtos fitofarmacêuticos que evidenciou um potencial genotóxico".

Contudo, o Parlamento Europeu não descarta as preocupações sobre os riscos de doenças cancerígenas ou de disfunção endócrina potenciados pelo herbicida comumente utilizado para matar ervas daninhas na agricultura e no espaço urbano, desde os anos 70 do século XX. E, por isso, apela à produção de informação científica independente e a uma revisão da classificação de toxicidade desta substância, produzida e comercializada por empresas como a Monsanto, a Syngenta, a Dow ou a Sapec.

Apesar de aprovar o prolongamento da licença, o Parlamento Europeu considera "inaceitável" que o glifosato seja usado para queimar campos de cultivo antes da plantação de nova colheita e diz que só deve ser utilizado por profissionais para evitar uma maior exposição dos seres humanos.

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