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Camionista que sobreviveu a roubo e ataque em Saragoça apenas reconhece um dos dos réus em tribunal

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Caso que envolve António Manuel e José Manuel Martins, agredidos e roubados em abril de 2014 depois de ganharem 7000 euros num casino, em Saragoça, começou a ser julgado em Espanha. O primeiro ficou com uma incapacidade permanente para o trabalho que o impede de conduzir e o segundo acabou por morrer

O camionista português que sobreviveu a um roubo violento em 2014 em Saragoça – que resultou na morte de um outro português – reconheceu esta segunda-feira, em tribunal, apenas um dos acusados do crime, o espanhol Noé Arteaga.

António Manuel e um outro português, José Manuel Martins, foram agredidos e roubados na noite de 10 de abril de 2014, quando tinham acabado de ganhar mais de sete mil euros num casino em Saragoça. José Manuel Martins morreu passados três dias devido aos ferimentos, enquanto António Manuel esteve 22 dias hospitalizado, demorou outros 192 a curar-se completamente, mas ficou com uma incapacidade permanente para o trabalho, com problemas de visão, fortes dores de cabeça e perda de força numa mão, que o impede de conduzir.

Esta manhã, António Manuel foi ouvido na Audiência Provincial de Saragoça, juntamente com os acusados, mas apenas reconheceu um deles: o seu agressor, Noé Arteaga. O camionista relatou que foi agredido – juntamente com José Manuel Martins – por vários encapuzados, que usaram um bastão de basebol, uma barra de ferro e uma arma branca.

Segundo recordou, os agressores primeiro roubaram-lhes a carteira, mas acabaram por voltar para trás quando perceberam que esta não continha o dinheiro que haviam ganhado no casino. Foi nesse momento, declarou o camionista, que reconheceu Noé Arteaga, com quem se havia cruzado no Casino da Plaza Imperial, em Saragoça.

Noé Arteaga, conhecido pela alcunha "El Maki", admite o roubo mas não o homicídio. Contou em tribunal que pediu a um cúmplice, Alberto Rus – também acusado de homicídio, roubo e lesões –, para que o acompanhasse, mas ressalvou que apenas queria que este "intimidasse" o camionista e que não pretendia matar ninguém.

Alberto Rus, por seu lado, referiu que não levava qualquer tipo de arma, apesar de ter admitido que Noé Arteaga transportava uma barra de ferro na noite do crime. Reconheceu que nessa noite tinha tomado "speed, charros [marijuana] e cocaína", mas não agrediu nenhum dos portugueses. Posteriormente, contou Rus, Noé voltou ao carro de ambos "muito nervoso" e manchado de sangue, gritando "vamos, vamos!". Também admitiu que recebeu 1000 euros de Noé nessa noite.

A justiça espanhola pede para cada um dos acusados um total de 30 anos de prisão, por um crime de homicídio, com agravante, outro crime de lesões e outro de roubo. Também pede que os acusados indemnizem a viúva do camionista morto com uma verba de 250 mil euros, bem como 60 mil euros a cada um dos seus dois filhos, mais 12.180 euros para António Manuel pelas suas lesões, 43 mil euros pelas sequelas, 5900 euros de dinheiro roubado e a roupa e óculos danificados.

Por outro lado, a justiça também pede que os acusados paguem 13.401,99 euros ao Serviço Aragonês de Saúde pela assistência médica prestada ao camionista sobrevivente.

Quanto à defesa, o advogado de Noé Arteaga pede que este seja condenado apenas pelos delitos de roubo e lesões, enquanto o defensor de Alberto Rus pede que este seja absolvido de todas as acusações.