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Zuckerberg, polegar levantado e o mundo a seus pés: o novo imperador disto tudo

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FUTURO. Internet para toda a gente, inteligência artificial, realidade virtual. O Facebook quer atacar em várias frentes

KAY NIETFELD/REUTERS

Quanto poder há num simples polegar? Na Roma Antiga, era ele que decidia o destino do gladiador vencido na Arena. Vida ou morte. Hoje, levantamo-lo para dizer que está tudo "OK", mas o gesto democratizou-se sobretudo na forma de um botão virtual que simboliza que gostámos de algo no Facebook. Um vídeo de um gatinho amoroso? Polegar para cima. A mais recente foto da vizinha do 4º esquerdo na praia? Polegar para cima. A última capa da "Economist"? Polegar para cima.

A revista de economia há muito que nos habituou às suas capas provocadoras mas certeiras. Na edição desta semana, retrata Mark Zuckerberg, o milionário fundador do Facebook, de 31 anos, como um imperador romano, qual Júlio César, com o polegar levantado e o mundo a seus pés. O título não deixa margem para ambiguidades. "Ambições Imperiais". Não há como não gostar. (pode ler o artigo AQUI)

Desde a antiga civilização romana que o mundo não conhecia um império assim. No apogeu da sua extensão territorial, o Império Romano exercia autoridade sobre mais de cinco milhões de m2 e mais de 70 milhões de pessoas, 21% da população mundial à época. Em 2016, a rede social mais famosa do planeta tem 1,6 mil milhões de utilizadores. Considerando que somos hoje 7,4 mil milhões na Terra, isso dá precisamente... 21% de toda a população mundial. Mil milhões usam-no diariamente, em média, durante mais de 20 minutos. Não admira que Zuckerberg apareça na capa da "Economist" de polegar para cima. Tem 325 mil milhões de razões (o valor em dólares da empresa) para gostar disso.

IMPERADOR. Zuckerberg tem ambições "ainda maiores" para o Facebook

IMPERADOR. Zuckerberg tem ambições "ainda maiores" para o Facebook

Parece muito, mas o jovem empresário tem ambições "ainda maiores", escreve a "Economist". Quer levar a Internet até aos países mais pobres usando drones e laser; quer impulsionar a inteligência artificial, criando ainda este ano um assistente capaz de o ajudar em casa e no trabalho; e quer aproveitar a boleia da febre criada em torno da realidade virtual. Quem não se lembra da foto de Zuckerberg a entrar no palco do Mobile World Congress em Fevereiro perante uma audiência escondida atrás de óculos de realidade virtual e proclamar que esta será "a plataforma mais social de todas"? Os equipamentos usados em Barcelona eram os Gear VR da Samsung, mas bem podiam ser os badalados Oculus, que o Facebook comprou em 2014 por 1400 milhões de euros.

Nesse caminho pelo domínio mundial, a rede social tem adversários de peso. O maior de todos? A Google, que, como o Facebook, tem a "riqueza para fazer apostas arrojadas e lidar com potenciais concorrentes". A empresa já usa técnicas de inteligência artificial para melhorar os seus serviços de internet e para desenvolver carros autónomos. Recentemente, o AlphaGo, um computador da Google, venceu quatro de cinco partidas contra o campeão mundial do jogo de tabuleiro chinês Go, considerado ainda mais complexo do que o xadrez. O resultado desta batalha entre impérios tecnológicos vai determinar grande parte do nosso futuro digital.

Encontrar um equilíbrio entre uma presença ainda mais permanente na vida das pessoas, lucros gigantescos e as inevitáveis críticas sobre concentração, segurança e privacidade, será "um dos maiores desafios empresariais do século", escreve a "Economist". "Mesmo na Roma Antiga, a multidão às vezes virava-se contra os imperadores. Por isso, aplaudam o Sr. Zuckerberg – e temam-no também".