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Vamos desfazer mitos sobre as baterias dos carros e smartphones (e temos umas dicas)

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d.r.

Algumas técnicas simples permitem aumentar significativamente a vida das baterias, estejam elas num smartphone ou num veículo elétrico

Miliamperes, watts, carga rápida, lítio… Estão são algumas das expressões que são cada vez mais comuns quando se fala de dispositivos com baterias, quer se trate de um pequeno telemóvel, quer de um veículo elétrico. E não são só as características técnicas que lançam a confusão entre os consumidores e utilizadores.

Há ideias pré-concebidas erradas, algumas das quais resultam da falta de acompanhamento da evolução da tecnologia – o que era verdade há uns anos não é necessariamente verdade agora – e outras da interpretação errada ou incompleta da informação. Um exemplo típico, que se ouve com alguma regularidade: “devemos deixar as baterias descarregarem por completo antes de voltarmos a carregá-las.” Um erro comum.

Quando carregar?

A ideia de que devemos deixar as baterias descarregarem completamente para aumentar a longevidade das células é errada. Pelo menos quando aplicada às baterias atuais, que são, na sua esmagadora maioria, baseadas em células de lítio. Trata-se de uma ideia que vem dos tempos das baterias de níquel onde, de facto, é conveniente aplicar ciclos de carga/descarga completos.

Na verdade, a técnica a usar para aumentar ao máximo a longevidade das baterias mais utilizadas na atualidade é a inversa: evitar cargas e descargas completas. Cada vez mais os sistemas de gestão da carga integrados nos aparelhos fazem isso mesmo automaticamente. Há fabricantes que optam por criar circuitos mais conservadores (usar uma parte menor da capacidade total da bateria), que permitem uma maior durabilidade das baterias. Outros preferem apostar em usar uma maior percentagem da capacidade da bateria à custa da longevidade, o que permite poupar no custo de produção (usam baterias de menor capacidade).

Nestes casos, a capacidade da bateria pode diminuir rapidamente após alguns meses de utilização. Nos portáteis e telemóveis, por exemplo, é comum as marcas optarem pela primeira estratégia em aparelhos de menor custo e pela segunda opção em aparelhos mais caros.

Ou seja, quando, por exemplo, o nível de carga indicado por um iPhone novo é de 10%, na verdade a carga deverá estar mais próxima dos 30%. E quanto o nível indicado é de 100%, é provável que a carga real ande próxima dos 80 a 90 por cento. Deste modo os fabricantes conseguem que as baterias durem mais anos.

Se utiliza um dispositivo móvel de qualidade, então não tem de se preocupar com quando deve ou não deve carregar a bateria, já que a gestão integrada deverá ser suficiente para manter a bateria saudável durante alguns anos.

No entanto, pode sempre ajudar nesta gestão, evitando que a carga não ultrapasse os 80 a 90% e, ainda mais importante, evitando que o nível desça abaixo de 20%. Muitos aparelhos incluem a opção de limitar a capacidade máxima da carga para “castigar” menos a bateria. Uma técnica comum em carros elétricos e também utilizada em alguns portáteis. Procure por esta opção e ative-a quando prevê que não vai precisar de toda a capacidade da bateria.

Como é normal, quanto mais a bateria for utilizada, menos vai durar. Aliás é isso que significa o número de ciclos de carga normalmente anunciados pelos fabricantes. No entanto, uma bateria não utilizada por muito tempo também acaba por perder capacidade, sobretudo se for mal acondicionada. Em aparelhos com bateria amovível e que ficam ligados durante muito tempo à corrente elétrica, o melhor é remover a bateria e guardá-la num sítio seco e longe de luz solar intensa.

No entanto, a bateria nunca deve ser guardada durante longos períodos de tempo com uma carga muito elevada ou sem carga. Se planeia não utilizar a bateria durante vários dias, o melhor será guardá-la com cerca de 40% de capacidade. Mas mesmo assim recomendamos que não deixe a bateria sem uso durante muitos dias. O melhor é utilizar a bateria pelo menos uma vez por semana, deixando-a descarregar até 20% e voltar a carregar até 80%. Depois deixe gastar até 40% para voltar a retirá-la.

Claro que em muitas situações precisamos de usar toda a bateria, desde os 100 aos 0 por cento. O que também é bom que aconteça, pelo menos ocasionalmente, de modo a que o sistema de gestão de energia seja calibrado – só assim as percentagens de carga indicadas são fiáveis.

Carga rápida: sim ou não?

Há adaptadores de corrente que prometem carregar mais rapidamente os dispositivos. Para o efeito, utilizam uma maior intensidade de corrente. No entanto, a utilização deste tipo de adaptadores tem algumas limitações e pode afetar a longevidade da bateria. A primeira limitação prende-se com os gestores de carga integrados, que podem limitar nos aparelhos a intensidade de corrente que pode ser usada. Por exemplo, muitos smartphones têm a entrada de energia limitada a 1 ampere (1 A), o que significa que a utilização de um carregador com mais capacidade não fará qualquer diferença.

Depois há que considerar o efeito negativo que a carga rápida pode ter nas células da bateria. Uma vez mais, depende muito do sistema de gestão de carga. Por exemplo, um bom sistema de gestão é dinâmico, sendo capaz de alterar a intensidade de carga de acordo com diferentes condições das células, com destaque para a temperatura e nível de carga. Em regra, estes sistemas permitem aplicar uma maior intensidade de corrente no início, quando o nível da bateria é menor, diminuindo no final, quando o nível de carga da bateria se aproxima da capacidade máxima. Uma técnica que permite aumentar a velocidade de carga sem afetar a vida da bateria – pelo menos não de modo evidente. É o que acontece, por exemplo, no iPhone 6. Apesar de este smartphone vir acompanhado de um carregador de 1 A, a utilização de um carregador de 2 A – o que é fornecido com o iPad, por exemplo – acelera significativamente a carga, sobretudo a parte inicial.

Resumindo: podemos usar adaptadores mais potentes, mas apenas em dispositivos que estejam preparados para receber os eletrões extra. Nas situações de carga direta das baterias (sem sistema de gestão), é importante respeitar os valores dos fabricantes para não reduzir a longevidade da bateria – nos casos extremos, potência de carga a mais pode danificar por completo as células.

Carregadores: vale a pena pagar mais?

Muitas vezes precisamos de substituir ou comprar um segundo adaptador de corrente (carregador) dos nossos aparelhos. No mercado há muitas opções, com preços muito variáveis. Mas vale a pena pagar pela marca? Em geral, a resposta é sim. A transformação de energia que ocorre num adaptador/transformador é um processo muito dependente da qualidade dos componentes, o que tende a afetar bastante o preço do produto.

Um adaptador de baixo custo apresenta, regra geral, variações importantes na saída de energia, tanto na tensão (volts) como na intensidade (amperes). A má qualidade dos componentes pode também dar a origem a sobrecargas e até mesmo incêndios provocados por curto-circuitos ou por sobreaquecimento (transformadores de má qualidade têm um menor rendimento energético, o que significa que uma maior parte da energia que vão buscar à rede é transformada em calor, e não em energia de saída). Esta situação torna-se mais evidente quando se trabalha com potências maiores (mais amperes e/ou mais volts). Ou seja, num carregador USB de baixa intensidade (em regra, não ultrapassam 1 ampere) pode não representar um perigo importante, mas não convém arriscar nada em adaptadores de maior potência.

O melhor é mesmo comprar um adaptador suportado oficialmente pelo fabricante. Até para evitar outros problemas: a utilização de um adaptador não oficial pode ser o suficiente para que a garantia perca a validade, e alguns portáteis não aceitam carga de adaptadores de outras marcas.

Como escolher uma bateria ou um powerbank

Muitos dispositivos móveis permitem substituir a bateria, o que é uma operação recomendada quando a autonomia já “não é o que era”. Por vezes há alternativas muito económicas no mercado, mas tenha muita atenção à escolha. A bateria até pode ter os volts e os amperes certos, mas estes valores não representam a capacidade (apenas a tensão elétrica e a intensidade máxima da corrente).

A capacidade da bateria é indicada pelos watts hora (Wh) e os seus múltiplos (mWh e kWh, por exemplo). No entanto, quando comparamos baterias para o mesmo aparelho, então podemos usar os amperes-hora (e seus múltiplos, como mAh), já que a tensão elétrica é a mesma e os watts hora resultam da multiplicação dos amperes-hora pela tensão elétrica. Por exemplo, uma bateria de 3000 mAh (3 Ah) vai ter mais autonomia do que uma bateria de 2500 mAh (2,5 Ah). Pelo menos em teoria, porque as baterias de baixo custo de marcas “esquisitas” muitas vezes têm capacidades inferiores ao anunciado. Muito comum em powerbanks.

Se tem um tablet ou um smartphone com uma bateria de grande capacidade, prefira os powerbanks com uma porta USB de 2 amperes – alguns modelos têm duas portas USB, uma de 1 A e outra de 2 A.

USB: lento, mas está a ficar mais rápido

Provavelmente já reparou que as baterias dos seus dispositivos carregam lentamente ou não carregam de todo quando usa a porta USB de um computador. Isto acontece porque as portas USB 1.0 e 2.0 apenas disponibilizam 500 mA (0,5 amperes), o que não é suficiente para muitos dispositivos. No entanto, há portas USB criadas para poderem alimentar dispositivos com maiores exigências, com até 1500 mA. As novas portas USB 3.1 e USB Type C podem chegar a 5 amperes e 20 volts (até 100 watts de potência).

Técnicas para aumentar a vida da bateria

Válido para as baterias de iões de lítio, as mais utilizadas atualmente.

- Evite usar a bateria com pouca carga (tente manter a carga acima dos 20%)
- Se possível, limite a carga máxima a 80% ou mesmo menos (há portáteis com opção de limitar a carga máxima)
- Não exponha a bateria a fontes de calor, sobretudo quando a carregar (nos portáteis, pode usar uma base de refrigeração)
- Prefira cargas lentas (de menor potência)
- Não guarde as baterias durante muito tempo com pouca carga ou totalmente carregadas
- Faça cargas completas ocasionalmente para estabilizar as células