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Missão: acabar com embalagens de sal fino no Estuário do Sado

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Há milhares de embalagens de sal fino depositadas no Estuário do Sado. São utilizadas para apanhar lingueirão e acumulam-se com as marés. Este sábado é dia de recolha deste lixo de plástico na beira-mar. A iniciativa é da associação Ocean Alive

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Aproveitando uma das maiores marés do ano, a organização sem fins lucrativosl "Ocean Alive" realiza este sábado mais uma campanha de sensibilização contra a acumulação de embalagens de plástico no Estuário do Sado.

Por "tradição", os mariscadores de lingueirão utilizam sal fino para apanhar este bivalve que vive enterrado nas zonas húmidas do estuário, deixando um rasto de milhares embalagens vazias que acabam por dar à costa em vários pontos do rio e nas praias de Setúbal, Tróia e Arrábida.

Segundo a Ocean Alive, este tipo de poluição marinha aumenta por altura das grandes marés do ano, sobretudo na primavera e no outono, já que se multiplicam os mariscadores "oportunistas". E como este sábado acontece uma dessas marés, a organização decidiu realizar uma campanha de sensibilização, dirigida a pescadores, mariscadores e população em geral para evitar a tradicional acumulação de lixo.

Milhares de embalagens acumulam-se num só dia

A organização estima que existam 130 mariscadores licenciados para a apanha no Estuário do Sado e que cada um utiliza em média 10 embalagens de sal. Se todos as deixassem no local, num só dia podem acumular-se cerca de 1300 embalagens de plástico.

Na última campanha realizada na passada Sexta-feira Santa, a organização contou com 30 voluntários que conseguiram recolher 1500 embalagens de sal fino vazias e 900 quilos de lixo.

Os resíduos de plástico recolhidos foram encaminhado para uma empresa parceira da ação (Extruplas) para serem reciclados e transformados em mobiliário urbano (mesas, cadeiras, bancos e floreiras).

Os ambientalistas lembram que os resíduos de plástico têm "um longo processo de degradação que pode durar 500 anos" e que ao partirem-se em partículas mais pequenas são ingeridos por peixes que entram na cadeia alimentar humana "com efeitos nefastos no sistema imunitário e na reprodução animal".

A ação decorre entre as 9h00 e as 12h30, nas zonas ribeirinhas da Eurominas e Gazlimpo, na margem norte do Estuário, junto à zona industrial de Setúbal. Enquadrada-se na iniciativa “Guardiãs do mar: salvar o ambiente, preservar empregos” e conta com o apoio do Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) e da Câmara de Setúbal, entre outras entidades.