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Adiós siesta, até sempre?

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Uma mulher dorme a sesta no Parque do Retiro, em Madrid

PEDRO ARMESTRE / AFP / Getty Images

A tradicional 'siesta' espanhola poderá ter fim à vista. O primeiro-ministro Mariano Rajoy apresentou uma proposta para encurtar a jornada de trabalho, retirando a grande pausa de almoço. Mas que mudanças trará para o dia-a-dia da população?

Espanha é um país de tradições. Tapas, touradas e flamenco. Do à-vontade e das conversas em voz alta, dos bons vinhos e azeite, do calor abrasador nos dias de verão. É o país das rotinas fora de horas, das jornadas de trabalho até às 20h, onde as pessoas jantam tarde e deitam-se tarde – e começam o dia às 8h ou 9h da manhã.

Não é por isso de estranhar que exista uma 'siesta' de três horas durante a tarde, para aqueles que a querem aproveitar. Mas aproveitá-la não significa, hoje em dia, dormitar, vai muito além disso: mais rapidamente será um longo almoço com amigos, uma ida às compras (as grandes cadeias de lojas não encerram nesse horário) ou uma deslocação à escola dos filhos, quem os tem, para levá-los a almoçar a casa (ou a dormir a 'siesta').

Mas esse costume não é prático no dia-a-dia da população, defendem alguns. Aqueles que são pais debatem-se com a dificuldade em ir buscar os filhos à escola ao final do dia. Como fazê-lo se as aulas terminam às 17h (e algumas mesmo às 14h30) e os progenitores apenas estão livres horas depois? E quem fica com os filhos durante esse horário? Outros apontam para aquilo que consideram ser o 'apagar' de uma tradição criada há muito para dar aos agricultores uma pausa na altura mais quente do dia. Mas fará sentido hoje em dia?

Para Mariano Rajoy não. Foi por isso que, mais uma vez, voltou a falar no adeus à 'siesta'. Para o atual primeiro-ministro e líder do PP as três horas de almoço contribuem para a etiqueta de pouca produtividade que os espanhóis têm hoje em dia. “A racionalização dos horários de trabalho das empresas e instituições espanholas é extremamente importante. Vou encontrar um consenso para estabelecer que o dia de trabalho termina às 18h”, declarou recentemente numa conferência em Sevilha. Além disso, Rajoy defendeu ainda a mudança do fuso horário do Meridiano de Greenwich para acertá-lo com Portugal e o Reino Unido.

Estarão os espanhóis prontos para dar tal passo? Há quem diga que esta mudança não traz grandes alterações para quem está nas cidades, porque quem lá trabalha está normalmente tão longe de casa que não tem tempo para ir a casa dormir uma sesta. Mas trará mudanças na vida social, laboral e familiar da população espanhola.