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Sócrates acusa Ministério Público de abuso de poder

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António José / Lusa

Com o título “Um processo excepcional”, o artigo de opinião de José Sócrates, publicado no “Jornal de Notícias”, termina com uma citação do filósofo italiano Antonio Gramsci: “A indiferença é o peso morto da história”

“Um ano e meio depois de deterem, de prenderem; um ano e meio depois de tudo fazerem para tentar aterrorizar, depois de montarem, por ação ou negligência, uma formidável campanha de difamação, não mandaria a lei e a responsabilidade que apresentassem as provas do que insinuaram sem concretizar? A verdade é que não apresentam provas porque não as têm; nunca as tiveram. E não as têm pela singela razão de não poder haver provas do que nunca aconteceu.”

José Sócrates contra-ataca. Passados poucos dias de Amadeu Guerra, diretor do DCIAP, ter definido que até 15 de setembro o Ministério Público tinha de concluir a investigação da Operação Marquês, o ex-primeiro-ministro, num artigo de opinião publicado esta segunda-feira no “Jornal de Notícias”, acusa o Ministério Público de abuso de poder devido às extensões sucessivas, desde 19 de outubro, para a conclusão da investigação do processo.

Sócrates lembra que quando o detiveram diziam ter “provas definitivas e concludentes”, mas que, até agora, ainda não conseguiram demonstrar isso. “Três meses depois, a prova estava ‘consolidada’. Aos seis meses, estava ‘consistente’ e ‘robusta’. Nove meses, depois estava... sei lá, de betão armado. Dezasseis meses depois, nem factos, nem provas, nem acusação. Agora querem mais seis meses, e depois se verá. Até onde levará o Ministério Público tal abuso?”, escreve.

Para o ex-primeiro-ministro, o Ministério Público “não tem esse direito”. “Violado o prazo máximo de inquérito o diretor do DCIAP devia ter avocado o processo ou marcado outro prazo – a lei não lhe permite outra coisa. Marcar prazos para definir o novo prazo final, como já por duas vezes havia feito, foi ilegal.”

Com o título “um processo excepcional”, o artigo de opinião de José Sócrates termina ainda com uma citação do filósofo italiano Antonio Gramsci: “A indiferença é o peso morto da história.”