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Português envolvido na caso Lava-Jato aparece nos Panama Papers

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ALEX HOFFORD / EPA

A Mossack Fonseca criou sociedades em “offshores” para pelo menos 57 indivíduos já publicamente relacionados com o caso Lava Jato

Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira é o primeiro nome português a ser conhecido dos Panama Papers. O empresário português, que está a ser investigado no âmbito da operação Lava Jato, aparece na lista comprometedora divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, da qual o Expresso faz parte.

De acordo com a investigação, o empresário português deteve 14 empresas "offshore" com sede nas Ilhas Virgens, nas áreas dos minérios, gás natural e exploração de petróleo. Segundo o portal de notícias brasileiro "UOL", terá sido a venda dos direitos de exploração de um campo de petróleo, no Benim, à Petrobas que acabou por envolver o empresário no caso Lava Jato.

Idalécio Rodrigues, através da empresa Lusitania Petroleum, detinha várias licenças de exploração petrolífera em África. A empresa em questão foi constituída, nas Ilhas Virgens, em julho de 2010. Passados sete meses, a Petrobras comprou o campo no Benin a uma subsidiária da Lusitania Petroleum, mas nunca encontrou petróleo naquele campo da África ocidental.

O “UOL” escreve que os responsáveis pela investigação da Lava Jato suspeitam que a transação resultou no pagamento de subornos ao presidente da Câmara dos Deputados e líder do Partido do Movimento Democrático do Brasil (PMDB), Eduardo Cunha. De acordo com um relatório do Procuradoria-Geral da República de 2011, citado pelo "UOL", Idalécio Oliveira transferiu eletronicamente 8,7 milhões de euros para uma conta num banco suíço, mantida por João Augusto Rezende Henriques, ligado ao PMDB.

Esta foi feita através da Acona International Investments Limited, uma empresa sediada nas ilhas Seychelles, também registada pela Mossack Fonseca.

Semanas depois, Rezende Henriques transferiu eletronicamente 1,3 milhões de euros para uma conta num banco suíço. O "UOL" escreve que, em maio de 2010, e-mails trocados entre funcionários da Mossack Fonseca sugerem que a Lusitania Petroleum foi criada para ser negociada em bolsas de valores.

A empresa que está na origem dos "Panama Papers", a Mossack Fonseca criou sociedades em "offshores" para pelo menos 57 indivíduos já publicamente relacionados com o esquema de corrupção na Petrobras, conta o "UOL".