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Defensores das corridas de touros em Espanha dizem que sector gera €1600 milhões anuais

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CRISTINA QUICLER/GETTY IMAGES

Um relatório realizado a pedido da Associação Nacional de Organizadores de Espetáculos Taurinos desmente críticas dos antitouradas e conclui que a tauromaquia é a manifestação cultural menos apoiada pelo Estado

À crescente contestação dos defensores dos direitos dos animais contra as corridas de touros, os aficionados espanhóis da festa brava respondem agora com números. Dizem que o impacto económico do sector alcança a fasquia dos 1600 milhões de euros anuais e acrescentam que – ao contrário das acusações que recebem – a tauromaquia é a manifestação cultural menos apoiada pelo Estado.

As conclusões constam de um relatório da Universidade da Estremadura, realizado a pedido da Associação Nacional de Organizadores de Espectáculos Taurinos (ANOET). Têm por base dados de 2013 e são apresentadas de forma bastante detalhada.

Do total anual gerado pelas corridas, o documento especifica que mais de 422 milhões de euros resultaram do negócio direto, com a feira de San Isidro (realizada na principal praça de touros do país, em Madrid) a encabeçar a lista dos eventos mais bem sucedidos, ao fechar o cartaz com um resultado financeiro de quase 62 milhões de euros.

O objetivo da ANOET, conforme revela ao diário “El País” a representante da associação Mar Gutiérrez, é provar que não têm fundamento os ataques que o sector tem recebido, nomeadamente a afirmação de que a tauromaquia arrecada 571 milhões de euros em apoios oficiais em Espanha, mais outros quase 130 milhões através dos programas europeus da Política Agrária Comum – algo que consta de um relatório compilado em 2013 por vários deputados europeus.

O documento da Universidade da Estremadura explica que o lóbi antitaurino aproveitou o início da recessão de 2007, que afetou o sector “como ao resto” da economia, para puxar para a campanha contra os touros os argumentos económicos. Mas ao contrário do que foi sendo dito, assinala o relatório, os subsídios atribuídos em 2013 somaram 25,5 milhões de euros.

Os autores concluem que a tauromaquia é mesmo a indústria cultural “menos subsidiada” no país, apesar de ser a que garante a maior receita para o Estado em impostos. E acrescentam: foram pagos 43,86 milhões de euros em IVA, apurados a partir dos 208,88 milhões de euros realizados nas bilheteiras, a que acorreram quase 25 milhões de aficionados.

O relatório sublinha ainda os 57 mil postos de trabalho diretos assegurados pelo sector, além de 142 mil indiretos.

Longe de colocar um ponto final na discussão, a posição dos defensores da “fiesta” espetou nela mais bandarilhas. Agora, ambos os lados falam em manipulação de dados e acusam o grupo contrário de faltar à verdade.