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Mais 169 dias para acusar José Sócrates. Ou não

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António José / Lusa

Rosário Teixeira tem até 15 de setembro para concluir a investigação da Operação Marquês. Defesa de José Sócrates considera o novo prazo “rídiculo”

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Amadeu Guerra deu mais cinco meses e meio a Rosário Teixeira para concluir a investigação do processo que envolve José Sócrates e outros 12 arguidos. O diretor do DCIAP estabeleceu como prazo limite o dia 15 de setembro deste ano para o procurador que dirige as investigações decidir se tem ou não indícios suficientes para acusar o ex-primeiro-ministro. São 169 dias. A notícia foi avançada pelo "Diário de Notícias" e confirmada minutos depois num comunicado da Procuradoria-Geral da República.

"Parece-me ridículo", critica João Araújo, advogado de Sócrates. "É mais um prazo sobre um prazo e estamos a falar da vida de pessoas", acrescenta. Há três meses, Amadeu Guerra tinha dado um prazo de 90 dias a Rosário Teixeira para dizer de quanto tempo precisava mais para dar um despacho final ao caso.

Segundo o comunicado da PGR, estão ainda por cumprir três cartas rogatórias enviadas para o estrangeiro: uma para o Reino Unido, em que é pedida a análise de uma série de movimentações financeiras envolvendo uma empresa off-shore; outra para Angola, para interrogar e constituir arguido Helder Bataglia, administrador luso-angolano da Escom suspeito de transferir 12 milhões de euros que terão beneficiado Sócrates. A última carta foi enviada para a Suíça.

O processo tem, para já, 13 arguidos: 12 pessoas e uma empresa. Em causa estão 23 milhões de euros que terão beneficiado indevidamente José Sócrates. Entre os arguidos estão Carlos Santos Silva, amigo de infância de Sócrates; Armando Vara, ex-ministro; Joaquim Barroca, dono do Grupo Lena e Diogo Gaspar Ferreira, administrador do grupo Vale de Lobo.

A investigação começou oficialmente a 19 de julho de 2013, Sócrates foi preso em novembro de 2014 sob "fortes indícios" dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal. Seria libertado nove meses depois porque a prova já estava "consolidada". Vão ser precisos três anos para fazer uma acusação.