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Alunos que frequentam o pré-escolar mais do que um ano chumbam menos

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Em duas décadas a taxa de pré-escolarização das crianças com 5 anos passou de 53% para 96%

A frequência do pré-escolar faz a diferença? Olhando para a percentagem de chumbos registada entre quem andou num jardim-de-infância durante um ano ou mais e quem só se estreou na escola aos 6 anos tudo indica que sim.

Os investigadores do projeto Aqeduto, apoiado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, cruzaram vários dados do PISA e concluíram que 29% dos alunos com frequência de um ano ou mais de pré-escolar chumbaram pelo menos uma vez até aos 15 anos. Mas essa taxa dispara para os 46% entre os estudantes da mesma idade que não andaram no jardim-de-infância. Ou seja, concluem os investigadores, “estes resultados parecem suportar a ideia de que a influência do pré-escolar se torna mais visível quando as crianças o frequentam por um período mais prolongado”.

Recorde-se que Portugal tem uma das mais altas taxas de reprovação da OCDE: até aos 15 anos, um em cada três alunos chumbou pelo menos uma vez.

Estes resultados são discutidos hoje ao final do dia, no CNE, na apresentação deste que é o quarto estudo desenvolvido no âmbito do projeto Aqeduto. Encontrar explicações para as variações dos resultados dos alunos portugueses nos testes PISA (realizados nos países da OCDE de três em três anos) é o objetivo.

Mas se mais anos em ambiente escolar estão associados a resultados mais altos na avaliação nacional, os investigadores já não encontraram essa relação no que respeita ao desempenho dos jovens na literacia em leitura avaliada no PISA. “Verifica-se uma melhoria subtil dos resultados dos alunos que frequentaram o pré-escolar, embora este impacto não seja determinante”, concluíram.

O que é evidente é a evolução que o país registou nos indicadores de frequência do pré-escolar. A taxa de pré-escolarização para crianças de 5 anos passou de 53% em 1990 para 96% em 2013. E quem beneficiou mais deste alargamento da rede foram as famílias dos estratos socioeconómicos e cultural mais baixos.

Ainda assim, há diferenças assinaláveis entre classes. Se, em 2012, 94% das famílias com estatuto socioeconómico alto tinham os filhos em idade pré-escolar num estabelecimento de ensino, em relação aos agregados com estatuto baixo esse valor estava nos 80%.