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Ferro Rodrigues. “A UE tem problemas tão graves nas suas fronteiras a leste que saber se o défice estrutural desceu é ridículo”

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Alberto Frias

Ferro Rodrigues diz que não se pode ter a certeza que a consistência da coligação é “ad aeternum”, mas que para já não há motivos de preocupação. Em entrevista ao “Público”, deixa elogios a Marcelo Rebelo de Sousa e críticas à União Europeia

“A UE tem hoje problemas tão graves nas suas fronteiras a leste, tão graves como o terrorismo, que saber se o défice estrutural de um país desceu 0,5% ou 0,3% ou 0,8% é completamente ridículo.” Estas palavras de Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, podem surpreender muitos.

Em entrevista ao jornal “Público” esta quinta-feira, o ex-líder parlamentar socialista deixou muitas críticas à União Europeia e elogios a Marcelo Rebelo de Sousa. “Em vários países europeus a democracia já está em risco”, afirmou.

Para Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa “é um grande comunicador”. Por isso, “a posição dele, se estiver articulada com as posições do Governo e do Parlamento, poderá ser importante”, explicou.

Relativamente ao futuro da coligação dos partidos à esquerda, o presidente da Assembleia da República diz que “não se pode ter a certeza que é uma consistência ad aeternum, visto que há outros factores que não são só meramente nacionais que jogarão o seu papel”, mas que, para já, ainda não existem motivos de preocupação.

Já quanto à posição negacionista da oposição, a seguir às eleições, afirma que esta se tem vindo, a pouco e pouco, a esbater. “Mas eu também percebo, estive demasiados anos na oposição para não perceber que muitas vezes os partidos preferem em determinados momentos colocar-se do lado de fora das soluções por razões de estratégia partidária que têm também de ser entendidas e respeitadas”, disse ao “Público”.

Esta quinta-feira, por coincidência, é também a data em que está agendada a primeira reunião de Maria Luís Albuquerque, em Londres, com o seu novo empregador, a Arrow. Falando em casos genéricos de deputados que transitaram de cargos políticos para o sector privado, Ferro Rodrigues diz não entender esse tipo de situações. “Do meu ponto de vista, meramente pessoal, embora também político, não vejo como é que as pessoas aceitam com tanta facilidade, depois de tutelarem uma determinada área, terem cargos em empresas privadas dessa mesma área.”