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Acusação a Sócrates? Só depois da Páscoa

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TIAGO MIRANDA

Rosário Teixeira já informou o diretor do DCIAP de quanto tempo precisa mais para concluir a investigação da Operação Marquês. Mas Amadeu Guerra só vai divulgar a informação depois das férias da Páscoa. A defesa de Sócrates diz que esta situação “muito o ofende”

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O procurador Rosário Teixeira cumpriu o prazo que lhe foi dado pelo diretor do DCIAP e disse quarta-feira de quanto tempo precisa para concluir a investigação da Operação Marquês e acabar a mais do que certa acusação contra José Sócrates e os outros 12 arguidos. Só que, de acordo com o gabinete da Procuradoria Geral da República, a informação só vai ser transmitida aos advogados de defesa depois das férias judiciais da Páscoa, isto é, depois da próxima semana.

Porquê? Porque, segundo uma fonte judicial, o procedimento normal nestas situações é que o procurador do processo comunica com o superior hierárquico - neste caso Amadeu Guerra -, que comunica com os advogados. O processo costuma levar dois ou três dias. Mas como há férias, há mais um prazo para se saber qual é o prazo para concluir a investigação.

A defesa de José Sócrates - o principal arguido do processo, suspeito de corrupção e evasão fiscal - reagiu em comunicado: diz que a situação "muito ofende" o ex-primeiro-ministro e acusa o Ministério Público de agir como se não houvesse prazos.

Em dezembro do ano passado, Amadeu Guerra tinha dado três meses a Rosário Teixeira para dizer de quanto tempo precisava mais para concluir a investigação. Neste momento, faltará a resposta a duas cartas rogatórias enviadas para o estrangeiro: uma para Angola para interrogar e constituir arguido o empresário luso-angolano Helder Bataglia, suspeito de servir de intermediário entre Joaquim Barroca e José Sócrates para o pagamento de 12 milhões de euros. A outra foi enviada para o Reino Unido e pede informações sobre uma série de transferências de uma empresa off-shore que o MP suspeita terem servido para fazer chegar dinheiro a suspeitos não identificados ou, segundo uma fonte judicial, até a José Sócrates.

O caso rebentou em novembro de 2014 quando o ex-PM foi preso no aeroporto de Lisboa à chegada de Paris. Ficou preso porque havia "indícios fortes" e só foi libertado nove meses depois porque a prova estava consolidada. Um ano e quatro meses depois, ainda falta saber quando será acusado.