Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Supervisão do BES: relatório do BdP aponta erros desde que Constâncio era governador

  • 333

Alberto Frias

O Banco de Portugal recusa desde o ano passado divulgar a sua “autoavaliação”. Este é o mesmo documento novamente pedido pelos deputados de esquerda na comissão de inquérito ao caso Banif

Quando é que os problemas do Banco Espírito Santo começaram mesmo? Segundo revela esta quarta-feira o "Jornal de Negócios", ainda era Vítor Constâncio governador do Banco de Portugal e já a supervisão no BES tinha problemas.

A autoavaliação feita pelo banco central no caso do BES, que a instituição se tem recusado a divulgar desde as comissões parlamentares de inquérito do ano passado, aponta falhas à atuação e no acompanhamento do processo, revela o “Negócios”. Alguns dos problemas descobertos remontam ao início dos anos 2000.

A Comissão de Avaliação às Decisões e à Atuação do Banco de Portugal na Supervisão do BES tinha como objetivo avaliar como o BdP tinha atuado "nos três anos que antecederam a aplicação da medida de resolução ao BES para apurar eventuais deficiências". Mas a comissão foi além disso: o documento, com cerca de 600 páginas, também levanta dúvidas sobre a atuação sob dois governadores do Banco de Portugal: Carlos Costa e Vítor Constâncio.

No relatório, segundo o “Jornal de Negócios”, foram organizados vários blocos sobre aspetos específicos do banco, desde a articulação do BES com o BdP ao financiamento do banco e do grupo, passando pela ligação a Angola, pela idoneidade de Ricardo Salgado e ainda pela evolução da estrutura do Grupo Espírito Santo.

Uma das conclusões retiradas é que em pelo menos dois dossiês - Angola e a relação entre o BES e o grupo -, havia informação que não foi utilizada na atuação da supervisão.

Desde o ano passado que o Banco de Portugal recusa divulgar este documento. Este é o mesmo novamente pedido pelos deputados de esquerda na comissão de inquérito ao caso Banif.