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“Não se deve ter medo. Devemos continuar com a nossa vida quotidiana”

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Entre a comunidade portuguesa residente em Bruxelas o momento é de choque, com ordens para permanecerem em casa, a acompanharem os acontecimentos ao minuto através das janelas das residências, da televisão, dos telefones e das redes sociais. João Macdonald, ex-assessor de imprensa de Rui Tavares e editor da revista “UP”, a viver precisamente nas traseiras do Parlamento Europeu, conta o que se observa através da sua janela

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Jornalista

Jornalista

João Macdonald, editor da revista “UP” e ex-assessor de imprensa de Rui Tavares no Parlamento Europeu, estava em casa, em Bruxelas, quando se deram os primeiros atentados terroristas na zona de partidas do aeroporto de Zaventem, pelas 8h locais (7h em Lisboa). A mulher e a filha foram avisadas do sucedido à saída do elevador pela porteira do prédio, quando se prepararavam para começar o dia.

A residirem exatamente nas traseiras do Parlamento Europeu, foram aconselhados a permanecer em casa, onde acompanham ao minuto os acontecimentos através das redes sociais e da varanda de casa. Avistam helicópteros nos céus que sobrevoam as instituições europeias e, na rua, o ambiente é de aparente calma.

Em conversa telefónica com o Expresso, Macdonald é da opinião de que o pânico deve ser evitado e que as fronteiras não devem fechar. "Não se deve ter medo. Devemos continuar com a nossa vida quotidiana, embora com todos os cuidados que são das normas. O grande perigo, como extremo, é ceder à tentação de continuar a fechar a Europa e continuar a levantar muros. Uma questão delicada em Bruxelas, como todos sabemos (como em muitos dos países europeus) é que tem uma série de partidos nacionalistas, de extrema-direita, que obviamente vão explorar isto em função dos seus interesses. Devemos permanecer atentos, democratas, a acreditar que não é fechando fronteiras que estes problemas se vão resolver e a haver mais entendimento internacional. A União Europeia continua a ser uma ideia que deve ser defendida e é por aí que nos devemos orientar."

Sobre os ataques é perentório: "Infelizmente não é uma grande surpresa. Não nos esqueçamos que há dois anos houve um ataque terrorista no Museu Judeu, em Bruxelas, em que quatro pessoas foram assassinadas a tiro. Não há uma sensação de surpresa perante isto tudo. É claro que há um grande sentimento de horror e de desprezo pelos ataques!"