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Marinho e Pinto pede coragem: “Continuo a fazer a minha vida normalmente”

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Deputado europeu fez intervenção na comissão europeia das pescas para que reunião prosseguisse, apesar das explosões, por entender que a melhor resposta ao terrorismo é “reafirmarmos a nossa liberdade”

António Pedro Ferreira

Marinho e Pinto estava numa reunião da comissão de Pescas, no Parlamento Europeu, quando se deram as explosões no metro de Bruxelas. O eurodeputado diz que nessa altura pediu para fazer uma intervenção e lembrou o "episódio no parlamento francês no final do seculo XIX, em que houve um atentado anarquista (9 de dezembro de 1893) e a sessão continuou".

O eurodeputado solicitou que todos continuassem a trabalhar "porque mudar o nosso modo de vida é uma vitória do terrorismo, é esse o seu objetivo". "A vida de deputado implica riscos e devemos assumi-los sem restringirmos as nossas liberdades", sublinha.

Ainda assim, a reunião que começou com mais de 20 deputados "terminou pouco depois" com menos de 10, uma vez que as chamadas de familiares e amigos interromperam em definitivo os trabalhos. "Há um clima de grande tensão e preocupação, está a ser tudo cancelado e as pessoas estão a ir embora", conta Marinho e Pinto, que vai "dar uma volta pelos arredores" à hora do almoço, para ver o ambiente.

O eurodeputado faz todos os dias a pé o caminho entre o seu hotel e o parlamento, num percurso que demora pouco mais de 40 minutos, e estava precisamente a chegar ao Parlamento quando se deram as primeiras explosões no aeroporto de Bruxelas.

"Vou sair daqui as 19h30, como habitualmente, e vou a pé para o hotel novamente", garante.

Crítico em relação ao "exagero e alarmismo da comunicação social", o presidente do Partido Democrático Republicano diz que tem voo marcado para Portugal para esta quarta-feira ao início da tarde e espera poder passar a Páscoa em casa. "O terrorismo não é novo na Europa, desde o seculo XIX que a Europa convive com este tipo de violência", lembra, para concluir que "o medo é uma vitória do terrorismo".

O atentado no século XIX a que Marinho e Pinto se refere foi realizado pelo anarquista Auguste Vaillant, que lançou uma bomba para uma das galerias do parlamento francês e vários deputados ficaram feridos, inclusive Charles Dupuy, que presidia à secção e foi atingido na cabeça por um prego. No total houve 50 feridos, inclusive o anarquista autor do atentado, que ficou sem nariz. Auguste Vaillant, de 32 anos, foi condenado à morte no ano seguinte, a 5 de fevereiro 1894.