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Ex-líbris do Funchal ganha nova vida

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Antes da inauguração do Lido, alguns dos funcionários envolvidos na empreitada trocaram a farda de trabalho pelo fato de banho e aproveitaram para recordar velhos tempos no complexo balnear

LUCÍLIA MONTEIRO

O Lido, complexo balnear por onde há mais de oito décadas passam sucessivas gerações de funchalenses, agora requalificado, é inaugurado esta terça-feira com a presença de António Costa

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

Na tarde desta segunda-feira, a menos de 24 horas da reabertura do Lido (o complexo balnear do Funchal que teve de fechar portas após a intempérie de 2010), faziam-se as últimas verificações no equipamento.

A piscina era esvaziada pela última vez antes da sessão de inauguração, que contará com o chefe do Governo da República, António Costa. Com a operação de manutenção da piscina em curso, alguns dos funcionários envolvidos na empreitada trocaram a farda de trabalho pelo fato de banho e aproveitaram para recordar velhos tempos bem passados.

Inaugurado esta tarde pelo primeiro-ministro António Costa, o completo balnear estará disponível ao público a partir desta quarta-feira, 23 de abril

Inaugurado esta tarde pelo primeiro-ministro António Costa, o completo balnear estará disponível ao público a partir desta quarta-feira, 23 de abril

LUCÍLIA MONTEIRO / Lusa

Ao início da tarde desta terça-feira, de visita oficial à Madeira (a convite de Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional), António Costa cortará a fita do novo Lido. O rejuvenescido complexo é, até ao momento, a mais importante realização do mandato da Câmara local, presidida desde 2013 por Paulo Cafôfo, um independente apoiado por vários partidos, com o PS à cabeça.

A dimensão maior da obra (a última fase, que agora se conclui, foi adjudicada por 1,9 milhões de euros) é reconhecida por Cafôfo. “Pela escala, pela dimensão e pelo investimento”, afirma o autarca, em declarações ao Expresso.

O presidente da Câmara funchalense salienta, no entanto, que o Lido “é muito mais do que um complexo balnear com paredes de betão”. Para os funchalenses, “é algo imaterial, um ícone da relação da cidade com o mar”, afirma. Tratando-se de “uma cidade atlântica”, Funchal mostra o paradoxo de “ter pouca acessibilidade ao mar”.

E foi precisamente no complexo balnear alvo de reabilitação que gerações e gerações de madeirenses, em grupos de amigos ou em programas de lazer familiar, colmataram esse défice. “O Lido está na memória de cada um dos madeirenses e por isso na memória coletiva de todos”, diz o presidente da Câmara do Funchal.

Mergulho inaugural de nadador paralímpico

Aproveitando os últimos raios de sol desta amena segunda-feira no Funchal, os trabalhadores que entraram na águia quiseram, de certa forma, estrear o novo Lido. Essa honra, contudo, já está oficialmente atribuída.

Na tarde desta terça-feira, depois dos discursos da cerimónia (cujos preparativos já estavam esta segunda-feira à vista, com as cadeiras perfiladas à espera das autoridades e de convidados) será Manuel Gonçalves, um nadador paralímpico de 26 anos, a dar o “mergulho inaugural”.

Gonçalves, um funchalense que é campeão nacional em vários estilos, será no próximo mês de abril um dos representantes de Portugal no Campeonato da Europa de Natação Adaptada, que irá precisamente decorrer na capital da Região Autónoma da Madeira.

Na sessão de inauguração, o momento seguinte será assegurado por uma demonstração da seleção nacional feminina de natação sincronizada. Por fim, será a vez de cerca de três centenas de jovens nadadores (dois oito aos 18 anos) de diversos clubes madeirenses.

Além da população madeirense, o Lido, situado na zona hoteleira da cidade, está também vocacionado (agora com nova cara e mais funcionalidade) para atrair turistas. O complexo balnear abre ao público esta quarta-feira.

Os madeirenses que conhecem o Lido vão dar-se conta de algumas diferenças. A construção está agora mais recuada em relação ao mar, o que permitirá proteger melhor o complexo das vagas atlânticas.

A piscina principal foi encolhida na área e na profundidade, tendo a piscina para crianças sido dividida em duas, para respeitar normas técnicas e de segurança entretanto adotadas. Derrubar as barreiras a pessoas com mobilidade reduzida foi uma das preocupações do projeto.

* Os jornalistas do Expresso viajaram a convite da Câmara Municipal do Funchal