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Brasil quer extraditar luso-brasileiro detido em Lisboa

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NACHO DOCE / Reuters

Raul Schmidt, sócio de um antigo diretor da Petrobrás, foi detido esta manhã, num apartamento de luxo, pela Polícia Judiciária, no âmbito do cumprimento de uma carta rogatória relacionada com a Operação Lava Jato, que investiga crimes económico-financeiros no Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que as autoridades brasileiras querem extraditar o cidadão luso-brasileiro Raul Schmidt, detido esta manhã em Lisboa no âmbito da cooperação judiciária internacional na Operação Lava Jato.

Em comunicado, a PGR, sem indicar o nome do detido, explica que a operação que levou à detenção de Raul Schmidt Felipe Junior num apartamento de luxo no centro de Lisboa envolveu diversas diligências, designadamente buscas, e que "foram acompanhadas por uma equipa do Ministério Público brasileiro".

Raul Schmidt, sócio de um antigo diretor da Petrobrás, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito do cumprimento de uma carta rogatória relacionada com a Operação Lava Jato, que investiga crimes económico-financeiros no Brasil.

A PGR adianta que já recebeu das autoridades brasileiras três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria, mantendo-se duas em execução.

As diligências da PJ, que contaram com a presença de um juiz português e de um procurador brasileiro, foram coordenadas pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Raul Schmidt foi sócio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás Jorge Zelada, condenado no mês passado a 12 anos e dois meses de prisão por corrupão e branqueamento de capitais no âmbito da Operação Lava Jato.

Na altura, o juiz Sérgio Moro considerou provado que Zelada cobrou um suborno de 31 milhões de dólares (27.5 milhões de euros) à empresa Vantage Drilling Corporation para contratar um barco sonda para a petrolífera.

Os delitos foram denunciados pelo Ministério Público e investigados pela Justiça brasileira, cuja sentença assegura que Zelada "passou a dedicar-se à prática de delitos enquanto diretor da Petrobras para enriquecimento ilícito e de terceiros".

Jorge Zelada foi igualmente condenado pelo branqueamento de 12,5 milhões de dólares através de três empresas constituídas no estrangeiro.

No âmbito da investigação brasileira já tinham sido confiscados a Jorge Zelada 30,7 milhões de dólares em contas que tinha num "offshore".

A Operação Lava Jato, investigada pela polícia federal brasileira, começou em março de 2014 e é considerada já uma das maiores investigações a atos de corrupção e branqueamento de capitais no Brasil.