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#Instagram. Os últimos (a postar) já não são os primeiros (no feed)

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MUDANÇA. A rede social anunciou que as imagens deixaram de aparecer no feed por ordem cronológica, mas sim de acordo com o perfil de cada utilizador

FOTO INSTAGRAM

Se é um dos mais de 400 milhões de fãs do Instagram, é provável que, como eu, siga algumas centenas de pessoas na popular rede social de partilha de imagens e vídeos curtos: muitos amigos, alguns familiares, umas quantas personalidades que admira, uns fotógrafos fabulosos, meia dúzia de "insta models" para lhe lavar as vistas, vários viajantes de lhe meter inveja, talvez uma ou duas marcas... E se tem toda esta gente no Instagram é provável que, no tsunami de imagens que inundam o seu feed diariamente, perca aquelas que realmente lhe interessam. Para tentar resolver este problema, a plataforma anunciou aquela que é a maior mudança desde que foi lançada, em 2010: as fotos e os vídeos passarão a aparecer no "feed" não de forma cronológica, como até aqui (com os mais recentes primeiro), mas de acordo com as preferências de cada utilizador.

É a chegada ao Instagram de um algoritmo de personalização, algo que o Facebook estreou em 2009 e que o Twitter adotou também recentemente. A complexa equação por trás de cada escolha inclui informação que a rede social sabe sobre cada utilizador, o tipo de posts que lhe interessam, as pessoas com quem interage, etc. Para já, a plataforma não irá filtrar posts, ao contrário do que acontece, por exemplo, no Facebook; continuará a mostrar todas as imagens e todos vídeos, só que numa ordem diferente. Primeiro aqueles que considera mais interessantes e relevantes para cada utilizador, só depois os outros.

Ou seja, se estiver uma tarde inteira fechado numa reunião e não tiver visto a foto que o seu melhor amigo postou das férias nas Bahamas, o Instagram irá puxar essa imagem para o topo do feed para que não a deixei passar. E, neste caso, para o torturar um pouquinho.

A novidade não tem data de lançamento confirmada. As mudanças serão testadas primeiro com uma percentagem reduzida de pessoas, mas nos próximos meses deverão chegar progressivamente a todos os utilizadores.

A decisão surge depois da empresa ter percebido que, em média, os seus utilizadores perdem 70% do que aparece nos feeds, incluindo alguns dos posts mais populares dos seus amigos. Com esta jogada, espera conseguir captar melhor a atenção destes, já que se sentirão menos desmotivados por conteúdos aborrecidos ou que lhes interessem menos.

As alterações são anunciadas numa altura em que o Instagram se prepara para ganhar um utilizador de peso: o Papa Francisco abrirá uma conta (com o nome Franciscus) na rede social este sábado, data que coincide com o terceiro aniversário do seu pontificado. No final de fevereiro, o Papa tinha recebido no Vaticano o fundador do Instagram, Kevin Systrom. Na ocasião, o pontífice revelou que ambos tinham falado "do poder das imagens como instrumento de união dos povos, de todas as culturas e todas as línguas".