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Ministra quer afastar generais do Exército do comando da GNR

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GNR vigiou de forma apertada as estradas portuguesas durante quatro dias

António Pedro Ferreira

Contança Urbano de Sousa tem uma tarefa espinhosa nas mãos. António Costa falhou, há 10 anos, numa tentativa semelhante. Até agora, só oficiais do Exército é que podem liderar a GNR

É uma questão antiga e com a qual António Costa já lidou há 10 anos, quando era ministro da Administração Interna. Na época, a alteração foi vetada por Cavaco Silva. Mas a atual dona da pasta, Constança Urbano de Sousa, quer voltar a tentar levar a bom porto a tarefa de tornar possível a promoção de oficiais da GNR a generais, o posto mais alto da hierarquia, conta o “Diário de Notícias” esta sexta-feira.

Esta medida significa, na prática, que esta força de segurança deixe de ser comandada por generais do Exército, algo que não acontece em mais nenhuma força policial europeia, e sejam os oficiais da GNR a assumir a liderança. O “DN” diz que neste momento existem 11 generais do Exército a comandar a GNR.

Constança Urbano de Sousa assume que se trata de uma matéria que "reveste da maior importância" e admite que seja tratado "no âmbito da revisão estatutária que se encontra em curso", em resposta a uma questão sobre o tema, colocada pelo PCP.

Ainda não existe calendário objetivo para estas mudanças, mas o “DN” escreve que a ministra tem estado a ouvir oficiais de GNR sobre este assunto. Porém, esta revolução na cúpula da GNR pode não acontecer de forma simples. Esta mudança abre feridas antigas entre oficiais da própria GNR e militares. Em primeiro lugar, porque até agora os coronéis do Exército e os oficiais oriundos da Academia Militar estão na linha da frente para se candidatarem ao generalato.

Por outro lado, os GNR formados pela Academia Militar ainda só são tenentes-coronéis - as respetivas promoções ainda não devem ocorrer este ano. Ou seja, só daqui a uma dezena de anos é que serão elegíveis para generais.