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Manif inunda a rua Cor-de-Rosa. “É fazer algazarra para que estes estabelecimentos fiquem onde estão”

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Grupo de amigos e clientes do Jamaica, Tokyo e Europa prepara manifestação esta sexta feira à meia-noite contra o fecho destes espaços históricos na rua da moda do Cais do Sodré, em Lisboa

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A noite desta sexta-feira promete ser ainda mais agitada que o habitual na rua Cor-de-Rosa, em Lisboa. Um grupo de amigos e clientes do Jamaica, Tokyo e Europa está a organizar uma manifestação contra o fecho destes icónicos bares do Cais do Sodré, localizados num edifício que vai para obras de remodelação profunda.

A partir da meia-noite, música e palavras de ordem farão subir o tom do ruído na mais movimentada rua da noite lisboeta. "A ideia é fazer algazarra para que estes estabelecimentos fiquem onde estão", explica esperançado Fernando Pereira, sócio do Jamaica e do Tokyo.

Recorde-se que o edifício onde se encontram estes bares foi vendido a um grupo francês que pretende transformá-lo num hotel dedicado à música e que só admite que ali apenas venha a ser realojado o Jamaica após a remodelação.

Na última semana, os sócios destes bares e a Associação Cais do Sodré multiplicaram-se em reuniões com representantes dos futuros e dos atuais proprietários do edifício, procurando chegar a consensos quanto a indemnizações, à possibilidade de mais do que um dos estabelecimentos permanecer no edifício, às alternativas de realojamento e ao tempo de fecho do Jamaica durante a obra. O vice-presidente da Câmara, Duarte Cordeiro, foi "mediador" nalgumas das reuniões, mas ainda não há qualquer acordo.

A única certeza é que estes espaços não vão fechar portas a 14 de abril, como inicialmente suposto. Apesar de nessa data chegar ao fim o prazo de seis meses dado pelos proprietários para que abandonassem o edifício, há atrasos nos projetos de demolição e construção, o que faz adiar o fecho de portas - sem data definida para já. "Só sabemos que quando vier a próxima notificação teremos 15 dias para sair", afirma Fernando Pereira.

O empresário está consciente da importância de o edifício ser reabilitado, tendo em conta que se trata de um prédio pombalino muito degradado, cuja cobertura ruiu em 2011, mas espera não ter de fechar portas por muito tempo, de modo a evitar o risco de “as pessoas encontrarem outros caminhos”.

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