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FC Porto contra Sindicato dos Jornalistas

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Direção do FC Porto acusa o sindicato de se substituir à investigação das autoridades no caso das ameaças a jornalistas. Na newsletter Dragões Diário desta quarta-feira, o clube insinua que não há factos que provem que os autores do incidente são adeptos portistas

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O FC Porto reagiu através de um comunicado ao comunicado divulgado esta terça-feira pelo Sindicato dos Jornalistas, a condenar, em absoluto, a agressão e ameaças a jornalistas no exterior do Estádio do Dragão, após a quente reunião da Assembleia Geral de segunda-feira. Na newsletter Dragões Diário desta manhã, o FC Porto “estranha” que o Sindicato se substitua a qualquer investigação policial e identifique os autores dos incidentes como adeptos afetos ao clube.

“Com que factos se suporta o Sindicato dos Jornalistas para assegurar que se tratam de adeptos do FC Porto?”, questiona-se, acrescentado a publicação portista que “não seria a primeira vez que incidentes nas imediações do nosso estádio foram protagonizadas por adeptos de outros clubes.

Sem precisar a data, a publicação digital dos dragões dá como exemplo o que terá acontecido antes de um FC Porto-Sporting, “em que um numeroso grupo de adeptos, que se veio posteriormente a averiguar serem do Sporting, protagonizou vários episódios de violência”.

Apesar de condenar todo o género de violência, o clube adverte que os incidentes junto ao estádio devem ser tratados na esfera das autoridades policiais, condenando o Sindicato dos Jornalistas por cometer o “erro primário” de relatar factos que não viu, não confirmou e, ainda pior, sem ouvir uma das partes visadas. O comunicado não especifica qual das partes não foi ouvida, se os jornalistas intimidados ou se os agressores que atuaram de cara tapada.

A mesma publicação nega que o presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, ou qualquer outro dirigente portista, tenha tecido “duras críticas à imprensa”, mas mesmo que o tivesse feito, “o que nunca aconteceu, o direito à crítica, mais ou menos dura, é uma base da democracia e era só o que mais nos faltava do que um sindicato a defender um qualquer género de censura”.

“Sem vigarice, seríamos campeões”, diz Pinto da Costa

Um desmentido que esbarra nas culpas atribuídas por Pinto da Costa ao insucesso da equipa de futebol, nos últimos três anos, à “imprensa vestida de vermelho” e àqueles que criticam “para sacar o vil metal”, remoque a que não escaparam comentadores simpatizantes da causa azul e branca, como Guilherme Aguiar, Manuel Serrão e Rodolfo Reis. Na mira do líder portista estiveram ainda os árbitros, ao sustentar que “sem a vigarice” o FC Porto seria “campeão com sete pontos de vantagem”.

Em tom jocoso, o comunicado adverte que um dia ainda sai um comunicado a condenar o S. Pedro pelo mau tempo quando os jornalistas fazem a cobertura de tempestades.

No dia em que Pinto da Costa apresenta a sua 14ª candidatura à presidência do FC Porto para o quadriénio 2016-2020, eleições em que se apresenta como candidato único no dia 17 de abril, o clube emitiu ainda um comunicado contra a RTP1 e a RTP3, negando que os associados que quiseram participar na Assembleia Geral “encontraram uma sala pequena e quase cheia com funcionários do clube e elementos da claque”.

Apesar do desmentido, citado esta quarta-feira pelo “Jornal de Notícias”, Pinto da Costa confessou que não estava à espera de tanta adesão (mais de 300 sócios) - “costumam estar 30 ou 40 sócios (nas assembleias gerais) e por isso se marcou a AG para aquele espaço” -, prometendo o líder portista que futuramente o espaço será maior.