Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Mais de 48 mil reclamações contra o sistema de saúde

  • 333

Tiago Miranda

Utentes queixaram-se à Entidade Reguladora da Saúde sobretudo dos procedimentos administrativos dos prestadores. Hospitais públicos e região de Lisboa são os mais visados.

O livro de reclamações serviu para registar a maioria (73,7%) das 48.699 queixas de cidadãos contra o sistema nacional de saúde - prestadores públicos, privados e do setor social – durante o ano passado. Pelo relatório divulgado esta terça-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), conclui-se que o alvo maioritário foram os hospitais públicos e a região de Lisboa e Vale do Tejo, quase sempre devido aos procedimentos administrativos, em concreto a qualidade da informação institucional disponibilizada.

Em quase todas as situações (94,3%), os processos foram remetidos pelos próprios prestadores, cumprindo o que está na lei. Segundo o Regulador, "há um maior volume de procedimentos relativos a estabelecimentos públicos", os "prestadores com internamento (independentemente da natureza jurídica) foram os que receberam maior número de reclamações" e os "estabelecimentos da região de Lisboa e Vale do Tejo foram os mais reclamados".

Além das questões burocráticas, a população criticou os "tempos de espera, em especial para atendimento clínico não programado superior a uma hora, e, em terceiro lugar, os cuidados de saúde e segurança do doente, salientando a adequação e pertinência dos cuidados/procedimentos".

6422 elogios: ganha o Estado

Ainda assim, no total de 55.848 processos que chegaram ao Regulador também há elogios (6.422) e sugestões (1,3%). E se as unidades do Estado foram as mais criticadas, foram igualmente as que mereceram mais aplausos. Também aqui, com destaque para os prestadores com porta aberta na área de Lisboa.

A comparação com o ano anterior, 2014, não é, no entanto, possível de fazer. A ERS explica que "a síntese descritiva de 2015, é o primeiro relatório anual a incorporar reclamações dirigidas a estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde do setor público, privado, social e cooperativo". Assim sendo, "não pode afirmar-se que tenham existido mais reclamações no ano de 2015, mas apenas que, a partir de 2015, a informação é recolhida, monitorizada e apreciada pela ERS, passando a ser normalizada e transversal a estabelecimentos públicos e não públicos".