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Jornalistas intimidados e um agredido à saída do Dragão

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Operador de imagem da Sport TV foi agredido após assembleia geral incómoda para Pinto da Costa, esta segunda-feira. No exterior do Estádio do Dragão vários jornalistas foram intimidados. Sindicato dos Jornalistas já reagiu

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A assembleia geral do FC Porto, que tinha como único ponto de ordem de trabalho a aprovação do regulamento eleitoral para as eleições do clube do próximo dia 17 de abril, acabou com intimidações a repórteres de imagem e um operador de câmara golpeado na cabeça, protagonizadas por adeptos, alguns dos quais de rosto parcialmente encoberto por cachecóis.

O Expresso contatou a Sport TV para apurar as circunstâncias e a gravidade da agressão, mas a operadora não adiantou se já apresentou queixa, alegando que a situação está ainda a ser averiguada.

Na noite de segunda-feira, os desacatos no exterior do estádio foram o culminar de uma reunião, limitada a sócios, anormalmente quente e concorrida. O clima de desconforto começou quando compareceram cerca de 350 associados e o local escolhido, uma sala de conferências, se revelou pequena de mais, obrigando muitos sócios a permanecerem de pé. “Outros, chateados, saíram a protestar mesmo antes de a assembleia começar”, refere ao Expresso fonte próxima do clube.

Os 30 minutos reservados à discussão geral arrastaram-se por quase duas horas, perante a sucessão de associados que pediram a palavra, confrontando Pinto da Costa com questões polémicas, não só sobre a sua gestão à frente do clube, como também dos administradores que compõem a SAD portista. No centro da contestação está a falta de rendimento da equipa e o jejum de resultados nas duas últimas épocas.

“Como justifica os insucessos do futebol e como pensa dar a volta à situação?”, “como se admite o caos que se instalou no clube?”, “pode clarificar de uma vez por todas o que se passa entre Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa?” ou “porque houve eleições na SAD antes das eleições do clube?” foram algumas das questões colocados ao presidente do FC Porto, citadas pelo jornal “O Jogo”.

Pinto da Costa foi ainda instado a livrar-se dos “oportunistas” que o rodeiam, chegando mesmo alguns associados a pedirem “uma limpeza geral aos mafiosos que estão com Pinto da Costa”. Sem perder a compostura, o líder do FC Porto, que oficializa esta quarta-feira, sem concorrentes, a 14ª candidatura ao cadeirão presidencial do FC Porto para o quadriénio 2016-2010, admitiu que os últimos três anos não têm sido positivos.

Pinto da Costa escusa-se a fazer mea culpa

“Estou triste com o futebol, está a ser um mau mandato no futebol”, confessou Pinto da Costa, mas tentou de imediato afastar as atenções para a abertura do Museu do FC Porto, a construção da piscina, a criação da academia de bilhar e o regresso do ciclismo como pontos a valorizar. Em relação aos insucessos, escusou-se a fazer mea culpa, defendendo-se com as arbitragens, com os adeptos que assobiam a equipa, com a comunicação social da capital e até com os comentadores afetos ao FC Porto.

“As desculpas do costume. É um perito a lançar culpas para os outros. Ainda não percebeu que são cada vez mais os adeptos que estão fartos de manobras de diversão para a falta de resultados”, comenta um ex-dirigente do clube.O histórico presidente do FC Porto tentou acalmar os críticos revelando que as relações entre o filho Alexandre e Antero Henrique são cordiais.

As más relações entre Alexandre Pinto da Costa e vice-presidente do clube, diretor-geral do futebol e agora também administrador da SAD são apontadas como uma das causas dos milhões delapidados em contratações falhadas, ambos contestado pelas alegadas comissões ganhas em transferências de jogadores.

Promessa de milhões

Para sossegar os inquietos simpatizantes, Pinto da Costa anunciou um contrato de “vários milhões de euros” com a Unicer, válido para os próximos três anos. Contatada pelo Expresso, a Unicer referiu que não irá falar sobre o tema, salvo quando considerar oportuno.

A aprovação do regulamento eleitoral acabou por ser o ponto mais pacífico da noite de segunda-feira, regimento que obriga a partir de agora os candidatos a presidentes a terem mais de 10 anos de filiação como associado sénior.

Um dos sócios aproveitou ainda a ocasião para agradecer à SAD ter tido a coragem de “aparecer depois do que tem andado a fazer”, ousadia apupada por alguns presentes e abafada por Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, claque que se apresentou em peso na assembleia geral, bem como o Coletivo Ultra 95. Entre um ou outro remoque, as duas claques optaram por apelar à união de todos os portistas em torno da candidatura de Pinto da Costa.

Sobre os confrontos no exterior do Dragão, o Sindicato dos Jornalistas encoraja os jornalistas a agir criminalmente contra os agressores.