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ModaLisboa. O nosso glamour visto de fora

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José Sena Goulão/Lusa

O Expresso falou com três jornalistas de revistas de referência da moda internacional para saber como é que a arte, o estilo e as tendências portuguesas desta indústria são vistas lá fora. Resultado: nem bem, nem mal, nem assim-assim

Glamour, glamour, glamour. Três vezes, pois é esse o número de dias que Lisboa fica mais charmosa, bela e sensual, com a presença dos melhores estilistas nacionais e internacionais da indústria da moda. É a 25ª edição da ModaLisboa, onde além de modelos, designers, novas coleções e tendências, não podiam faltar jornalistas das melhores revistas de moda internacionais. O Expresso foi tentar saber a opinião da imprensa estrangeira sobre o evento lisboeta e perceber como é que a moda nacional é vista lá fora.

Mikołaj Komar, fotógrafo, jornalista, apreciador de alta cultura e editor-chefe da revista polaca “KMAG” diz com um grande sorriso que a ModaLisboa “é uma das semanas de moda mais bem organizadas do mundo”. Esta é a nona vez que Komar está cá e muitos dos seus elogios prendem-se com a boa receção dos portugueses e com o ambiente acolhedor que é criado durante o evento, “tornando fácil apreciar moda, conhecer pessoas e divertir”.

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Quando questionado sobre as características da moda portuguesa que sobressaem lá fora, Komar admite que “Lisboa não é propriamente um sítio de onde vêm novas tendências”. Mas isso não é necessariamente um aspeto negativo. “A moda portuguesa é vista como diferente porque não tem ligação com os estilos mainstream de outros locais”, explica o bem-disposto editor da “KMAG”.

Komar conta ainda que notou uma grande evolução nos trabalhos dos estilistas portugueses: “Antes, muitas das coleções faziam lembrar velhos marinheiros, porque transmitiam uma forte ligação ao passado. Mas este ano os trabalhos estão muito mais minimalistas".

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Mas esta linha tradicional é precisamente a característica-chave da moda portuguesa para Angela Gilltrap, editora-chefe da revista digital de Nova Iorque “Heaven Has Heels”. Gilltrap explica ao Expresso que o aspeto tradicional do “fantástico trabalho de alfaiataria” e a “alta qualidade dos acabamentos das coleções portuguesas” são muito falados lá fora.

Quanto ao evento em si, a jornalista diz que “é uma excelente forma de incentivar a criatividade”, fomentar talentos que, por sua vez, poderão ajudar ao desenvolvimento económico do país. “É pena que as pessoas esqueçam as potencialidades da indústria criativa”, lamenta Gilltrap.

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Para Italo Pantano, jornalista da Vogue italiana, tudo em Lisboa é uma novidade. É a sua estreia no evento e é também das primeiras vezes que lida com tantos e tão variados designers portugueses. “Para quem está habituado a trabalhar nas feiras de Milão e de Paris, como é o meu caso, tudo na ModaLisboa é uma novidade”, conta Pantano. Mostra-se impressionado com a quantidade de jovens estilistas presentes no evento e partilha os seus favoritos: “O estilo ligeiramente imaturo de David Ferreira agarrou-me completamente, assim como a frescura da Tânia Nicole, da plataforma Sangue Novo”.

David Ferreira tem 26 anos e deu a conhecer o seu trabalho mais recente, “Opulent Child”, inspirado em “pessoas mimadas da história”, na sexta-feira, no mesmo dia em que Tânia Nicole, da plataforma “Sangue Novo”, apresentou o “Melting”.

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Angela Gilltrap confessa a sua paixão pelos grandes clássicos da moda portuguesa, como Nuno Gama (que deu um espetáculo cinematográfico no Centro Cultural de Belém, no primeiro dia da ModaLisboa) e Miguel Vieira (cuja coleção fechou o evento no sábado).

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Já o polaco Mikołaj Komar continua à espera do trabalho que lhe tirará o fôlego. “Gostei muito do desfile de Pedro Pedro, por causa do seu estilo feminino, sensual e ao mesmo tempo doce, mas continuo à espera de um efeito ‘uau’”, esclarece. A ModaLisboa termina este domingo com os desfiles de Dino Alves e Luís Carvalho. Pode ser que seja num destes que Komar fique sem fôlego.

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