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Ferrel evoca marcha anti-nuclear

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Há 40 anos os moradores desta freguesia de Peniche destruíam os equipamentos de sondagem montados para preparar a construção de uma central atómica. Era o início da maior luta anti-nuclear ocorrida em Portugal.

Algumas ruas de Ferrel e doutras freguesias de Peniche irão ter o nome de pessoas que se destacaram nos movimentos de protesto graças aos quais a central nuclear projectada para aquela zona da costa portuguesa nunca chegou a ser construída. O anúncio foi feito por António José Correia, presidente da Câmara de Peniche, numa sessão evocativa da marcha sobre o Moinho Velho realizada domingo, dia 13 de Março, de manhã, em Ferrel, com a presença de largas dezenas de pessoas.

A 15 de Março de 1976, fez agora 40 anos, a população de Ferrel, alertada pelo toque de sinos a rebate ao nascer do dia, marchou sobre o local da projectada central atómica e destruiu as construções provisórias lá existentes. Iniciava-se uma luta que marcou o nascimento do movimento ambientalista em Portugal, se prolongaria até ao final da década de 70 e culminaria com a decisão governamental de desistir daquela localização quando se comprovou aquilo de que suspeitava desde o início: a existência de uma falha sísmica que traria riscos acrescidos ao funcionamento da central.

De entre as pessoas a distinguir avultam D. Crialdina, moradora local que tocou o sino a rebate e fez juntar a população de Ferrel, bem como o catedrático do Instituto Superior Técnico Delgado Domingos que apoiou técnica e cientificamente a luta dos moradores, uma e outro já falecidos.

O movimento anti-nuclear de Ferrel começou a ganhar expressão nacional e muitos apoios de pessoas de fora do concelho, nomeadamente intelectuais, estudantes, professores universitários, militantes dos primórdios da ecologia, etc, com a realização a 21 e 22 de Janeiro de 1978 do Festival pela Vida e Contra o Nuclear onde participaram cantores como Zeca Afonso ou Fausto. Este último dedicaria a Ferrel e à luta dos seus moradores a canção “Rosalinda”.