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Causa dor, mas não mata

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d.r.

Feitas as contas, as voltas e reviravoltas nos hábitos de consumo de televisão chegadas com o “boom” da internet, através sobretudo do fulgor introduzido pelos serviços de streaming e pela crescente massificação do acesso aos conteúdos via mobile, não evidenciam a morte anunciada da televisão linear tradicional.

Luís Proença

Um estudo comparativo sobre o fenómeno nos Estados Unidos, assinado pelo analista Michael Nathanson, conclui que a noção de que a Netflix está a matar a televisão linear é incorreta, apesar do serviço de streaming estar efetivamente a captar espectadores aos operadores televisivos de sempre. Nathanson refere que “a poderosa narrativa largamente difundida” acerca do impacto da Netflix na TV foi várias vezes “construída sobre a ausência de factos”.

Michael Nathanson explica que as análises feitas pela empresa de estudos de mercado MoffettNathason aos resultados quantitativos do consumo televisivo, produzidos e tratados pela Nielsen (a companhia oficialmente encarregue das medições das audiências TV nos Estados Unidos) revelam que o número total de horas vistas através da Netflix equivale a 6% do número total de horas consumidas de televisão linear (em tempo real ou através das gravações em “time-shift”) pelos espectadores norte-americanos. Em 2014, a diferença era menor e fixou-se na casa dos 4%. “Atualmente, a Netflix será um pouco maior que as mais pequenas companhias de distribuição de televisão por cabo (nos Estados Unidos), mas mais pequena que qualquer um dos sete maiores conglomerados de distribuição por cabo ou por via hertziana”, conclui Nathanson, rematando que por estes dias “a Netflix é uma fonte de dor para a indústria (televisiva), mas não necessariamente a sua causa de morte”.

PUBLICIDADE VÍDEO EM TODOS OS ECRÃS

E como o espectador perante a vertiginosa e acelerada multiplicação na oferta de conteúdos de vídeo é todo-poderoso nas escolhas, esteja munido do telecomando da TV ou do smartphone ou do tablet ou do PC em ambiente de banda larga, os anunciantes e os operadores do mercado de TV norte-americano pesquisam, analisam e projetam que o consumo de vídeo em streaming digital deverá continuar a crescer, mas não deverá canibalizar o consumo da televisão tradicional nos anos vindouros. O relatório The Forrester, encomendado à Videology (empresa especializada no mercado publicitário convergente entre TV e vídeo) estima que nos próximos três anos os consumidores vão passar mais tempo a ver televisão em tempo real. Trata-se da opinião maioritária (49%) dos cerca de cem inquiridos entre anunciantes comerciais, agências e representantes de empresas de media – incluindo tanto produtores de conteúdos vídeo tradicionais como exclusivos para online -, nos Estados Unidos. “Apesar do tremendo crescimento das opções de escolha, a TV não está a desaparecer”, assinala Scott Ferber, CEO da Videology.

d.r.

73% dos compradores e vendedores de espaço publicitário inquiridos preveem que os consumidores vão optar mais pelo consumo online de programas de longa duração disponibilizados pelas cadeias de televisão e serviços de “over-the-top” (OTT); 70% antecipam que os espectadores vão dedicar mais tempo às ofertas da programação profissional e original online. O relatório professa que estas fontes de conteúdo online “se posicionam como um complemento, não como substitutas da televisão linear tradicional”. Assim sendo, o relatório The Forrester faz assentar a ideia de que “o futuro da publicidade em vídeo não é uma via de sentido único em direção ao vídeo digital, mas uma aproximação holística a todos os ecrãs”.