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Técnicas pioneiras abrem novas possibilidades para a recuperação da visão

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Um novo tipo de cirurgia, usado em doze crianças com cataratas congénitas, teve resultados muito positivos, que superam os alcançados com o método tradicional. Um outro estudo, envolvendo a regeneração de vários tecidos oculares com recurso a células estaminais, foi também apresentado esta semana na revista “Nature”

Há uma técnica pioneira, que se revelou eficaz na regeneração do tecido ocular em crianças com cataratas, na China, devolvendo-lhes a visão. A cirurgia é explicada esta semana na revista científica “Nature”, que publica dois estudos realizados nesta área por dois grupos internacionais de investigadores.

Numa das pesquisas os autores contam como foi possível regenerar o cristalino em coelhos, macacos e posteriormente em 12 crianças com cataratas congénitas.

Principal causa de cegueira no mundo, o tratamento atual para as cataratas requer uma incisão muito grande, envolvendo a remoção do cristalino e a colocação de uma lente intraocular artificial, com o risco de se desenvolverem inflamações posteriores e a exigência de um longo período de recuperação. O novo método, pelo contrário, evidenciou várias vantagens, disse à Nature” o coordenador do estudo, Kang Zhang, da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Não só se alcançaram melhores resultados, como foram menos as complicações pós-operatórias. Na prática, explicou o investigador, as crianças operadas - todas com menos de dois anos de idade - levaram poucos meses para recuperar da cirurgia e ficaram com a transparência dos olhos aumentada em 20 vezes, se feita a comparação com os benefícios da terapia tradicional.

Serão necessário mais testes até que a técnica possa vir a ser adotada, caso se comprove o seu potencial. Mas, para já, o método entusiasma os especialistas por permitir preservar ao máximo as células estaminais do próprio organismo do paciente, o que torna possível a regeneração do cristalino, dispensando a colocação de lentes artificiais o grandes incisões durante as cirurgias.

No segundo estudo, liderado por Kohji Nishida, da Universidade de Osaka, no Japão, os pesquisadores conseguiram regenerar diversos tipos de tecido do olho humano - incluindo a córnea, o cristalino e a retina - utilizando células estaminais de uma maneira que imita o próprio desenvolvimento natural do olho. Transplantados para animais com cegueira provocada por lesões na córnea, esses tecidos induziram a recuperação do olho, restaurando a visão.

Os autores acreditam que estes resultados podem vir a fazer considerar a realização de testes clínicos com humanos para transplante da parte frontal do olho, como forma de devolver a visão a quem a perdeu.