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Protesto de suinicultores junta centenas de camiões em Lisboa

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ANDRÉ KOSTERS/ Lusa

A concentração é mais um protesto contra as dificuldades do sector, que estima ter tido com a crise perdas diretas de 40% no seu rendimento

Os suinicultores estão a realizar em Lisboa mais um protesto contra as dificuldades do sector, queixando-se nomeadamente dos preços da carne nos hipermercados e da dificuldade em escoar os seus produtos.

Segundo a agência Lusa, ao início da tarde cerca de 300 camiões, oriundos de várias regiões do país, encaminhavam-se para a capital, onde uma delegação dos produtores de carne de porco foi recebida no Ministério da Agricultura.

As autoridades estão a acompanhar os veículos – os organizadores falam em, pelo menos, 300 – cuja chegada e circulação a Lisboa já está a bloquear algumas artérias.

Entretanto, o trânsito na Segunda Circular está já muito condicionado.
“Queremos alertar o poder político, está um setor inteiro à beira do colapso”, disse o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, Vítor Menino, à Lusa, acrescentando que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, já manifestou a intenção de receber os representantes dos suinicultores ainda hoje à tarde.

Em relação ao trânsito, o porta-voz do Cometlis, o comissário Rui Costa, disse que a PSP vai adequar a sua atuação e decisão em função das circunstâncias e da evolução da manifestação e referiu que os manifestantes pretendem dirigir-se ao Ministério da Agricultura, no Terreiro do Paço, para entregar um manifesto.

Há já alguns manifestantes no Terreiro do Paço, incluindo famílias com crianças que se fazem acompanhar também de dois leitões bebés dentro de uma caixa de transporte de animais, munidos de cartazes com as seguintes frases: "Sr. Ministro, os animais têm fome. Que devo fazer?" ou "Os suinicultores não querem morrer".

Alguns manifestantes juntaram-se no Terreiro do Paço, em frente ao ministério da Agricultura

Alguns manifestantes juntaram-se no Terreiro do Paço, em frente ao ministério da Agricultura

PEDRO NUNES/ Lusa

A concentração está a ser organizada pelo gabinete de crise dos suinicultores, grupo de trabalho criado no final do ano passado, que quis manter este protesto em segredo, mas entretanto os camiões foram intercetados pela polícia à entrada dos principais eixos da cidade, segundo contam os responsáveis pela organização do protesto.

São vários os problemas denunciados pela Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), que esta quinta-feira divulgou um comunicado para os enumerar. Além do embargo russo à importação de carne de porco dos países da União Europeia, está em causa o custo da produção do kg de carne de porco, que ronda os 1,45 euros (dados de janeiro), quando os produtores receberem apenas um valor na ordem dos 1,08 euros, quase 20 cêntimos menos do que os colegas espanhóis que enfrentam custos idênticos.

O sector estima, também, que as contas da crise implicam perdas diretas de 40% no seu rendimento.

O protesto desta sexta-feira acontece no dia em que o porta-voz de um “gabinete de crise” dos suinicultores disse estar de acordo com a criação de quotas de produção para a carne de porco, medida que irá ser defendida em Bruxelas pelo ministro Capoula Santos.