Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Concentração de CO2 na atmosfera “foi explosiva” em 2015

  • 333

GREG BAKER/AFP/GETTY

Agência científica norte-americana NOAA registou o maior aumento de sempre nas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera. Há mais de 11 milénios que não se via nada assim

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Em 2015, as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera bateram recordes, tendo aumentado 3.05 partes por milhão (ppm) — o que revela o maior salto anual registado pela agência federal norte americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), nos últimos 56 anos. Mas a última vez que se verificou tal nível de concentração de CO2 foi há mais de 11 mil anos.

"Os níveis de CO2 estão a aumentar mais depressa do que aconteceu nas últimas centenas de milhares de anos", afirma Pieter Tans, investigador-chefe da Rede Global de Referência de Gases de Efeito de Estufa, num comunicado emitido pela NOOA. Segundo o cientista "isto é explosivo comparado com os processos naturais" de concentração de gases de efeito de estufa.

A queima de combustíveis fósseis, as secas, a menor capacidade de as florestas reterem estes gases e o fenómeno climático El Niño terão contribuído para este disparo que levou a uma acumulação média global de 402.6 ppm de CO2, na atmosfera, de acordo com os dados recolhidos pelo observatório Mauna Loa no Hawai.

Estes valores equivalem a um aumento de cerca de 40% face às concentrações de CO2 calculadas para a era pré-industrial e revela uma taxa de crescimento "200 vezes mais rápida" que a natural vivida há mais de 11 milénios, alerta Pieter Tans.