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Câmara de Gaia move processo-crime a Angelino Ferreira

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O executivo de Eduardo Vítor Rodrigues vai processar o ex-administrador da Gaianima por difamação e acusações gratuitas. Angelino Ferreira afirma que auditoria às contas da empresa extinta foi ditada por guerra político-partidária

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Câmara Municipal de Gaia considera “absolutamente intoleráveis e reveladoras de uma falta de pudor assinalável” as declarações de Angelino Ferreira sobre as conclusões da auditoria à gestão da Gaianima, investigação que levou a Polícia Judiciária a proceder a mais de uma dezena de buscas domiciliárias, esta terça-feira.

Em comunicado, divulgado esta quinta-feira, a autarquia destaca que a auditoria foi determinada e definida pelo atual presidente da Câmara de Gaia, enquanto Angelino Ferreira era ainda administrador da Gaianima, “não se tendo disso queixado o mesmo responsável”. Esta quarta-feira, o ex-responsável pela área financeira da empresa extinta há mais de um ano, confirmou que foi um dos subscritores da auditoria externa pedida por Eduardo Vìtor Rodrigues, tendo decidido renunciar ao cargo quando se apercebeu que a análise às contas estava a ser conduzida por uma “equipa de três auditores da esfera do PS”.

O executivo do autarca socialista, que herdou de Luís Filipe Menezes uma das Câmaras mais endividadas do país, recorda que Angelino Ferreira apresentou a demissão “talvez por coincidência”, quando conheceu os resultados da auditoria e não quando a mesma foi solicitada. O economista e administrador do último conselho de administração da Gaianima, liderado pelo social-democrata Ricardo Almeida e que tinha ainda por administrador o antigo futebolista João Vieira Pinto, que integrou a candidatura de Menezes nas últimas autárquicas, garantiu esta quarta-feira que não conhece a auditoria nem nunca foi ouvido pelos seus auditores.

Eduardo Vítor Rodrigues adverte ainda que antes da sua tomada de posse como presidente da Câmara de Gaia já o Tribunal de Contas promovia uma auditoria ao universo do município, “cujos resultados estão alinhados com a auditoria da empresa externa”.

“A falta de consciência e a instrumentalização de que Angelino Ferreira pode, eventualmente, ter sido alvo não podem dar lugar a acusações gratuitas e difamatórias, ainda para mais pertidarizando a justiça”, sustenta o líder da autarquia.

Face ao teor das declarações do ex-administrador, o departamento jurídico da Câmara de Gaia decidiu, esta manhã, porceder à abertura de um processo-crime contra Angelino Ferreira.

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