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Balsemão homenageado em Cascais

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Durante o debate “A Televisão em Democracia”, o presidente do Grupo Impresa sublinhou três situações que ameaçam o futuro e “já começam a ter peso no presente”: a fuga da publicidade para “os gigantes norte-americanos”, o mito de que o que está online é livre e gratuito e, por último, a liberdade condicionada pela segurança

António Pedro Ferreira

Francisco Pinto Balsemão foi, esta quinta-feira, à noite homenageado no debate “Televisão em Democracia”, na 3º sessão do ciclo “Conversas da República”, que aconteceu na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. O presidente do grupo Impresa (dono do Expresso, SIC, Visão) sublinhou que existem algumas “ameaças” no futuro mas deixou uma mensagem positiva: “há possibilidades de reconversão”.

As ameaças que complicam a vida à televisão são: a fuga de publicidade e dispersão de consumidores para os “gigantes norte-americanos (Google, Facebook, Instagram)”, a criação do “mito” de que tudo o que está online é livre, e consequentemente, gratuito e, por último, o condicionamento da liberdade “em nome da segurança”.

Francisco Pinto Balsemão acredita que este cenário pode alterar-se e explicou: “Quando um semanário em papel, o Expresso, consegue produzir, também, um jornal diário digital, o Expresso Curto, a newsletter das 18h, um site adaptado a smatphone, um serviço para o Snapchat, etc., isso é reconversão. Quando a venda de assinaturas de canais da SIC sobe, num ano, 11,7%, isso é reconversão. Quando a SIC vende conteúdos à Netflix, isso é reconversão. Não chega? Claro que não. Precisamos de muito mais. Mas, pelo menos no que toca à televisão, penso que ainda temos algum tempo”.

O presidente da Impresa destacou ainda que “Portugal é um país com hábitos de consumo específicos”, exemplificando com o facto de “só no nosso país” haver noticiários com uma hora e meia de duração, de existir um grande consumo de telenovelas, de os canais temáticos de notícias estarem entre os mais vistos no cabo e ser possível a gravação e o timeshift.

“Será que, por ironia do destino, e para desespero dos críticos, afinal, a televisão, de mal necessário e intelectualmente detestável se está a transformar em bem necessário que é indispensável precaver?”, questionou.

No debate estiveram presentes os jornalistas Ana Sousa Dias e António Borga, o ator Nicolau Breyner e o crítico de televisivo Eduardo Cintra Torres.