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Jamaica, Tokyo e Europa vão mesmo fechar em abril? Talvez não

As míticas discotecas do Cais do Sodré, em Lisboa, podem não fechar já em abril, como anunciado. Um dos proprietários explica porquê. Sócios do Jamaica, Tokyo e Europa têm reunião marcada na Câmara de Lisboa

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A um mês da data aparentemente definida para fecharem portas, os donos do Jamaica, Tokyo e Europa − discotecas que funcionam no Cais do Sodré, em Lisboa, há décadas − ainda não têm a certeza de que a data final será 14 de abril. A primeira notificação, enviada pelos proprietários do edifício, informando-os de que teriam seis meses para abandonar os espaços que ocupam chegou-lhes em junho e a segunda em outubro passado.

Legalmente, o prazo terminaria a 14 de abril. Porém, “os arrendatários só terão que sair quando todos os procedimentos estiverem concluídos para começarem as obras”, admite Diogo Tavares de Carvalho, proprietário e advogado de alguns dos 30 herdeiros do prédio. Ou seja, apesar de o projeto de requalificação do edifício estar aprovado, falta a licença de obras. E só após esta ser emitida, e os arrendatários dela serem informados com 15 dias de antecedência, é que os espaços têm que ser desocupados, confirma Fernando Pereira, sócio do Jamaica e do Tokyo.

AUDIÊNCIA MARCADA NA CÂMARA

Entretanto, a Associação Cais do Sodré (que representa também estes empresários) marcou uma reunião com o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Duarte Cordeiro, para 18 de março, e espera fazer valer os seus argumentos junto dos atuais proprietários do edifício e dos investidores que o vão transformar num hotel. Duarte Cordeiro apenas confirma que “a câmara está a acompanhar a situação”.

Conscientes de que as obras de remodelação do edifício são necessárias, tendo em conta que se trata de um prédio pombalino muito degradado, os empresários querem “esclarecer a equação que falta”. Isto é, questiona Fernando Pereira, “se há possibilidade de ficar no local mais do que um dos estabelecimentos (uma vez que para já o projeto só contempla o Jamaica); que alternativas de espaço há para sermos realojados no Cais do Sodré ou junto ao rio; e quanto tempo teremos de ficar fechados durante a obra”.

O sócio do Jamaica argumenta que se tiverem de fechar três anos, por exemplo, perdem o negócio, “porque as pessoas encontram outros caminhos”. E lembra que quando o prédio teve obras, após o colapso da cobertura em 2011, apenas fecharam durante cerca de quatro meses.

Os empresários em vias de despejo também contestam a requalificação do edifício como uma obra de remodelação profunda que obrigue à desocupação, conforme prevê a nova lei do arrendamento, sem ter em conta que se tratam de “lojas históricas”, como é o caso do Jamaica.

Diogo Tavares de Carvalho, proprietário de menos de 1% do edifício e advogado de alguns dos herdeiros, diz desconhecer a reunião marcada na Câmara e argumenta “não entender a sua convocação ”, uma vez que “se trata de uma questão de direito civil que deve ser gerida entre particulares”. Contudo, adianta que, “estando o prédio em estado muito degradado por fora e por dentro e sendo necessárias obras de fundo, não será possível manter nenhum dos espaços noturnos a funcionar”. O advogado admite, porém, que se possa “negociar” o tempo de encerramento do espaço noturno (que lá vier a permanecer) durante as obras.

PETIÇÃO SOMA 3869 ASSINATURAS

Um grupo de amigos e clientes destes espaços noturnos do Cais do Sodré aliou-se para lançar uma petição em defesa do Jamaica, Tokyo e Europa. Na manhã desta quarta-feira já somava 3869 assinaturas a favor da manutenção dos icónicos bares no Cais do Sodré.

Um abaixo-assinado em papel está também a ser circular. E para a noite de 18 de março, uma sexta-feira, está convocada uma manifestação com direito a música na Rua Nova do Carvalho, mais conhecida como a Rua Cor-de-Rosa, onde estão localizados.