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Filho de Luís Filipe Menezes investigado por ajustes diretos à Gaianima

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Pedro Menezes foi um dos alvos das buscas da PJ por suspeita de envolvimento nos contratos prestados pela Desporto Vivo à Gaianima. Dono da empresa de eventos nega ligação ao filho do meio do anterior presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Pedro Alves, proprietário da sociedade unipessoal Desporto Vivo, desmente que a empresa organizadora de eventos e de gestão de recintos desportivos esteja associada a Pedro Menezes, um dos alvos das buscas efetuadas esta terça-feira pela Polícia Judiciária à Câmara de Vila Nova de Gaia e ao domicílio de antigos ex-diretores da Gaianima e antigos prestadores de serviços à empresa municipal extinta em 2015.

Ao Expresso, Pedro Alves escusou-se a confirmar se a Desporto Vivo, com sede no Porto, foi alvo de buscas, recusando ainda adiantar o tipo de contratos de ajuste direto celebrados com a Gaianima nos mandatos de Luís Filipe Menezes, pai de Pedro Menezes, enquanto autarca da cidade. “Não vou revelar informações confidenciais da empresa”, referiu o dono da empresa que em 2009 e 2010 assinou dois contratos de ajuste direto, no valor total de quase 125 mil euros.

Pedro Alves afirma ainda que Pedro Menezes “nunca teve qualquer ligação à Desporto Vivo, nem intermediou contratos” com a Gaianima. Segundo o “Correio da Manhã”, o filho do meio de Luís Filipe Menezes terá sido parte ativa nas negociações com a empresa municipal. Na base de dados da contratação pública, a Gaianima regista, entre 2008 e 2013, 266 contratos de ajuste direto, entre os quais o da gestão da prova 12 Horas de Karting de Gaia, em 2009, ano da constituição da empresa Desporto Vivo, e o de serviços no âmbito das 24 Horas de Karting, um ano depois.

Nos dois primeiros anos de atividade, a sociedade unipessoal, apenas com os contratos à Gaianima, apresentou o dobro da faturação anual média registada nos anos seguintes. Ao que o Expresso apurou, o representante legal de Pedro Menezes no âmbito deste processo de investigação é Amorim Pereira, vereador do PSD sem pelouro na Câmara do Porto.

Outra das empresas visadas nas buscas foi a Audioluz – Sérgio Bandeira Unipessoal Lda, prestadora de serviços de produção de som, iliminação e tendas para festivais. Sérgio Bandeira também optou por não prestar declarações. Visado na operação da PJ foi ainda Carlos Pinto, antigo diretor financeiro na era Menezes, entretanto destituído pelo atual presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, mas ainda a trabalhar na autarquia no serviço de contraordenações.

Embora não tenham sido alvos de buscas, fonte próxima do processo de investigação às contas e atividades suspeitas da Gaianima entre 2009 e 2013 refere que os ex-administradores da empresa municipal Ricardo Almeida, vereador do PSD da Câmara do Porto, Angelino Ferreira, gestor não-executivo da Gainima até 2014, bem como João Vieira Pinto, ex-futebolista e atual diretor da Federação Portuguesa de Futebol,também estarão sob investigagação.

Ricardo Almeida, administrador-executivo da Gainima entre fevereiro de 2011 e outubro de 2013, afirmou ao Expresso que nunca foi abordado para prestar esclarecimentos enquanto ex-gestor da empresa, embora refira estar disponível para coloborar com a investigação. Sobre as contas deficitárias da Gaianima, assegura que encontrou uma empresa com dívidas de 23 milhões de euros e que quando saiu deixou um passivo de 14 milhões de euros.

O ex-presidente da concelhia do PSD/Porto e antigo vereador do ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio, esclarece ainda que é da mesma “escola de boas contas à moda do Porto, ou não tivesse trabalhado com Rio”.

Angelino Ferreira, ex-administrador da SAD do FC Porto, irá prestar esclarecimentos esta tarde em conferência de imprensa.

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