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Angelino Ferreira descredibiliza auditoria à Gaianima

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Ex-administrador da área financeira da Gaianima diz que quem não deve não teme e que está disponível para colaborar com as autoridades apesar de desconfiar das conclusões da auditoria “conduzida por uma empresa ligada à esfera do PS”

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Angelino Ferreira, ex-administrador não executivo da Gaianima de 2001 a 2014, com um interregno entre 2007 e 2009, recusa-se a ser um “joguete na guerra de partidos”, razão porque quis esclarecer esta quarta-feira, em conferência de imprensa, os contornos da sua atividade na empresa municipal extinta há dois anos pelo autarca socialista Eduardo Vítor Rodrigues.

O responsável financeiro, que se demitiu da Gaianima no início de 2014 pouco depois de as contas da empresa terem começado a ser analisadas a pedido do executivo do atual presidente da Câmara de Gaia, garante que a sua casa nunca foi alvo de buscas, nem nunca foi ouvido pelos auditores nem pelo Ministério Público. Afirmando estar de consciência tranquila, refere que está disponível para colaborar com as autoridades, sublinhando que foi um dos subscritores do pedido de auditoria externa à Gaianima, onde permaneceu na gestão pós-Luís Filipe Menezes “por convite de Eduardo Vítor Rodrigues”.

Angelino Ferreira explica que renunciou ao cargo por ter percebido “pelo ruído político que na génese da auditoria estava uma guerrilha de partidos”. “Preferi afastar-me que nunca tive vocação para ator nem comediante”, diz, concluindo que não credibiliza as conclusões da auditoria por ter sido conduzida “por três auditores ligados à esfera do PS”.

A investigação às contas da Gaianima entre fevereiro de 2012 e outubro de 2013, cujas conclusões foram enviadas à PGR, indiciam, segundo o atual presidente da Câmara de Gaia, “ilegalidades muito significativas”. Entre os principais ilícitos, contam-se a violação da lei dos compromissos (LCPA), desrespeito pelas regras de contratação pública, despesas sem cabimentação financeira e existência ou faturação abusiva de serviços não realizados.

O ex-responsável pela área financeira adverte, que embora não se exima de eventuais responsabilidades legais, que não teve funções executivas na empresa municipal, cujo conselho de administração foi liderado no último mandato da era Menezes por Ricardo Almeida, ex-líder da concelhia do PSD/Porto, e atual vereador sem pelouro na Câmara do Porto, e por António Borges, no mandato em curso, e só por três vezes interveio na negociação de contratos. “Um de consultadoria fiscal, que permitiu a recuperação de impostos na ordem dos 5 milhões de euros, um com a empresa de segurança Prosegur e outro de fornecimento de serviços escolares”, refere.

O ex-administrador que há dois anos renunciou também às funções de administrador financeiro da SAD do FC Porto recusa que a situação financeira da Gaianima fosse insustentável, lembrando que deixou a empresa com ativos na ordem dos 17 milhões de euros, 10 milhões relativos à compra de um edifício onde funcionou uma escola ligada à saúde, em Gaia, e um passivo de 14 milhões de euros, 10 relativos ao financiamento em leasing do imóvel e os restantes 4 milhões de dívidas a fornecedores.

“Ou seja a empresa tinha capitais próprios de mais de 3,5 milhões de euros”, assegura Angelino Ferreira, adiantando que o desequilíbrio existente se acentuou nos últimos anos de mandato de Luís Filipe Vieira quando as dificuldades financeiras da Câmara ditaram o corte de subsídios da autarquia para a Gaianima.