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Internamento por pneumonia diminui pela primeira vez desde 2013

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MONEY SHARMA / AFP / Getty Images

A pneumonia é a principal causa de mortalidade respiratória em Portugal, sobretudo acima dos 65 anos. Dados divulgados esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde mostram que é preciso prevenir mais

Depois das doenças cardiovasculares e do cancro, são as doenças respiratórias crónicas que matam mais portugueses e tem sido cada vez mais assim desde a década de 90. A população acima dos 65 anos é o alvo principal, quase sempre por incapacidade de resistência à pneumonia, que em Portugal tem uma expressão mais forte do que na maioria dos restantes países europeus.

Os peritos nacionais afirmam que a explicação para a elevada mortalidade por pneumonia está no "aumento progressivo da esperança de vida e nos efeitos do tabagismo". O relatório "Doenças Respiratórias em Números 2015", divulgado esta terça-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), adianta ainda que dentro da patologia respiratória "as pneumonias são a principal causa de mortalidade no continente (46%)".

Começam, ainda assim, a surgir sintomas de um prognóstico mais favorável. "Pela primeira vez, o número de internamentos por pneumonias encontra-se em decrescendo desde 2013". E se há menos doentes internados, é expectável que existiam também menos desfechos fatais. O cenário é mais animador entre quem tem menos de 65 anos: "Registou-se uma redução na taxa padronizada de mortalidade de 23,5% em 2013 relativamente a 2009."

Mortalidade por asma e DPOC abaixo da média

A mesma tendência de diminuição foi verificada entre as mortes por bronquite ou enfisema, por exemplo, em 2013 com um decréscimo de 15%. No relatório, a DGS destaca ainda que "a mortalidade por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) situa-se abaixo da média europeia".

Na corrente inversa está a fibrose. Segundo os peritos, "para a fibrose pulmonar verifica-se um aumento de todas as taxas de mortalidade", ou seja, entre os mais e os menos idosos.

Os responsáveis da DGS encarregados da estratégia nacional para as doenças respiratórias pedem "maior intervenção no controlo de fatores de risco, designadamente os poluentes do ar e o tabagismo, bem como a incrementação da espirometria para fundamentar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crónica". A medida tem vindo a ser cumprida, mas com muita parcimónia. A realização daquele exame respiratório aumentou 280% entre 2011 e 2014, "contudo o valor absoluto reportado é ainda extremamente baixo", lê-se no relatório.

Vacinar mais

Além de melhorias na acessibilidade à espirometria, sobretudo nos centros de saúde e unidades de saúde familiar, as autoridades de saúde recomendam também maior cobertura vacinal contra a gripe para os grupos de risco, entre eles as pessoas a partir dos 65 anos, e contra as infeções pneumocócicas.

Sugerem ainda que os fumadores internados por doenças respiratórias tenham acesso facilitado à terapêutica de cessação tabágica após a alta hospitalar.