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Câmara de Gaia em silêncio sobre buscas da PJ

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A PJ deu início esta manhã a nove buscas em simultãneo na Câmara de Gaia e em casas de ex-gestores da Gaianima, empresa municipal extinta em 2015 e suspeita ter avalizado contratos ilegais de 4,4 milhões de euros na era de Luís Filipe Menezes

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Polícia Judiciária está a efetuar buscas simultaneas na Câmara Municipal de Gaia e às residências de alguns ex-gestores da Gaianima, empresa municipal gestora de equipamentos e eventos desportivos, extinta no ano passado pelo atual presidente da autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues.

Segundo o “Público”, a operação teve início esta manhã, pelas 7 hoars, tendo sido revistadas as residências de alguns ex-administradores da empresa alvo de uma auditoria externa solicitada pelo autarca socialista pouco depois de ter sucedido a Luís Filipe Menezes. Em causa estarão crimes como o de administração danosa e que terão ocorrido nos mandatos do anterior presidente da Câmara de Gaia, embora Menezes não seja diretamente visado nesta investigação.

O mesmo jornal adianda ainda que, esta tarde, a PJ terá ainda recolhido documentação informática que estava na posse do antigo diretor financeiro da Gainima. Em dezembro de 2013, em entrevista ao Expresso, Eduardo Vítor Rodrigues revelou que a Gaianima, com dívidas de 14 milhões, seria logo que possível extinta, uma decisão que já havia sido tomada por Menezes, com a aprovação da oposição socialista.

“Deliberou mas fez zero para acabar com o sítio da moscambilha, onde houve todo o tipo de atropelos de gestão”, afirmou o recém-eleito presidente da autarquia, que advertiu que a Câmara de Gaia iria “acomodar o pessoal de quadro, não os prestadores de serviço, nem os boys” da era Menezes.

No final de 2014, a Câmara de Gaia garantiu ter enviado à Procuradoria-Geral da República uma auditoria externa feita à Gaianima que terá revelado ilegalidades muito significativas. O líder socialista queixou-se ainda de “uma despesa impagável”. A contabilidade da autarquia foi ainda investigada entre abril de 2013 e maio de 2014 pelo Tribunal de Contas.

O Expresso tentou, em vão, contatar o executivo a Câmara de Gaia, tendo conseguido, no entanto, que uma fonte da autarquia confirmasse as buscas.