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Presidente da CIP: “Mais vale ter trabalho precário do que desemprego”

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

Quanto ao salário dos políticos, António Saraiva defende que recebem “mal” ou “muito mal”. Por isso, entende que o cenário mais justo seria que recebessem “de acordo com o desempenho” e responsabilidades atribuídas

Existe demasiado trabalho precário em Portugal, assume António Saraiva, presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugual, em entrevista ao “Diário Económico” esta segunda-feira. Mas, mesmo assim, afirma que “mais vale ter trabalho precário do que desemprego”. Para o presidente da CIP, “numa situação como aquela em que está a economia”, é preferível “ter um contrato a termo, com regras e respeito pelo ser humano, do que ter mais um desempregado”.

António Saraiva, que afirma estar disponível para ser reconduzido a um terceiro mandato na CIP, diz também que os capitais desajustados é um dos principais problemas para as empresas. Por isso, defende a necessidade de encontrar novos mecanismos de financiamento. “O erro que detetamos neste Orçamento, entre outros, é que focaliza demasiado no consumo e pouco no investimento e nas exportações ou na troca de importações por fabrico interno”, sustenta.

Relativamente ao Orçamento do Estado para 2016, diz estar expectante. Se não correr tudo bem, acredita que vão ser lançados mais impostos. “Se não for por aumento de IVA, será por outro imposto qualquer”, acredita.

Quanto ao novo emprego de Maria Luís Albuquerque, António Saraiva acha que a ex-ministra não devia ter aceitado a oferta da empresa britânica Arrow Global. “Em termos éticos, se fosse eu não o faria, porque acho que é um mau sinal.”

Mas para lá das questões de ética, para o presidente da CIP esta escolha de Maria Luís Albuquerque deve-se ao facto dos políticos ganharem “mal” ou “muito mal”. “Pelo serviço público, pela alta responsabilidade a que essas pessoas são chamadas, entendo que a sociedade devia ter, tal como existe nas empresas, uma definição de política salarial, uma comissão de remunerações que pagasse de acordo com o desempenho e a responsabilidade e que fosse transparente e aceite por todos”, afirma ao matutino económico.