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Porque é que estamos a falar disto?

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Novo estudo explica que nas economias mais desenvolvidas os mais novos já ganham menos do que os reformados. Dados traçam um cenário complicado para os que estão a tentar sair de casa dos pais e conquistar uma vida estável

Quem nasceu entre o início da década de 1980 e a metade da década seguinte já terá ouvido muitas vezes a mesma profecia: "Pertences à primeira geração que vai ganhar menos do que a dos seus pais". A geração Y, a das pessoas que estão agora nas casas dos 20 e 30 anos, habituou-se a ouvir falar de crise e a adiar da saída de casa dos pais, assim como às expressões "precariedade" ou "estágio não remunerado".

Porque é que lhe estamos a falar disto? Porque os autores dos maus presságios como aquele que abre este texto têm agora um estudo que lhes dá razão. A investigação foi divulgada esta segunda-feira pelo "The Guardian" e revela que pela primeira vez na História da sociedade industrial os mais jovens (até 30 anos) estão mesmo a receber pior do que os mais velhos, sendo que esta última faixa etária vê há anos o seu rendimento a cair de forma constante.

O estudo, que analisa dados de oito dos países com as economias mais desenvolvidas do mundo (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Itália, França e Espanha) mostra uma realidade dura para os mais novos. Uma combinação de dívida, desemprego, globalização, demografia e o aumento de preços no sector imobiliário explicam porque é esta a primeira geração industrial que vive pior do que as anteriores.

Há 30 anos, antes do nascimento destes jovens adultos que hoje fazem parte da geração Y, os mais novos ganhavam em média salários superiores aos das restantes faixas etárias. Mas tudo mudou, e tudo se agravou a partir da crise financeira de 2008: do final dos anos 1970 até 2010, neste grupo de países só os jovens australianos passaram a receber mais, com um aumento de rendimentos de 27%. Na Itália, o pior caso, o rendimento dos mais novos diminuiu em 19%, enquanto o dos mais velhos continuava a aumentar; atualmente, os jovens com menos de 35 anos ganham em média menos do que os pensionistas com menos de 80 anos.

Temos de resolver já este problema

Atualmente, os jovens com menos de 30 anos são mais pobres do que os reformados e as pensões crescem três vezes mais rapidamente do que os salários deles. Uma situação que se agravou num passado recente, explica Ángel Gurría, da OCDE, ao "Guardian": "A situação é dura para os jovens. Sofreram muito com a crise e a sua situação no mercado de trabalho pouco melhorou desde então".

O mesmo investigador adianta que este "é um problema que devemos resolver já - adiá-lo vai prejudicar os nossos filhos e a sociedade no seu todo". Paul Johnson, diretor do Institute of Fiscal Studies, lembra que a igualdade de oportunidades pode ser prejudicada por estas mudanças: "A verdadeira desigualdade surge quando se torna cada vez mais importante saber se os pais de alguém têm pelo menos a sua própria casa".

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    Steve Jobs e Bill Gates não foram os únicos a deixar um curso a meio para se dedicarem aos projetos em que acreditavam. Entre a Geração Y encontram-se vários seguidores. Mark Zuckerberg é apenas um dos mais conhecidos.