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Hospitais privados negam prática de distanásia

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Osório Araújo refuta a prática de tratamentos desnessários para prolongar a vida de doentes em estado terminal nos hospitais privados. “Eutanásia e distanásia são indistintamente condenáveis”, afirma presidente da APHP

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) refuta “em absoluto” a existência de práticas de distanásia nos hospitais privados, sublinhando Artur Osório Araújo que nas instituições de saúde privadas portuguesas se defende a ortotanásia, ou seja, a decisão de não abreviar a vida dps pacientes terminais pela via da eutanásia,nem prolongar inutilmente a sua agonia através da distanásia.

O líder da APHP esclarece que, em casos de morte iminente e inevitável de um doente, os hospitais privados têm diretrizes éticas “claras para que os médicos evitem a realização de qualquer procedimento, diagnóstico ou terapêutico, desnecessário”. Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a APHP refere que nos privados “eutanásia e distanásia são indistintamente condenáveis”

Osório Araújo rejeita ainda as “insinuações” de comentadores, como Miguel Sousa Tavares na SIC Notícias, que referenciam as unidades de saúde privada como promotoras de um “negócio da morte, que prolonga artificialmente a vida das pessoas que sabem não ter qualquer hipóteses de voltar a uma vida normal”.

O presidente da associação afirma que eutanásia e distanásia são indistintamente condenáveis, advertindo que já é tempo de acabar de vez com o preconceito segundo o qual os “hospitais privados visam o lucro a qualquer preço e não olham a meios para atingir esse fim”. Osório Araújo reconhece que a tecnologia de sustentação artificial de vida pode “representar uma pressão”, mas que esta tem de ser usada com sabedoria e bom senso.

“Os médicos reconhecem a dimensão da finitude e mortalidade da vida, que deve ser respeitada. No caso dos doentes terminais, o recurso a tecnologia caríssima, além de representar um custo denecessário, impõe mais sofrimento aos doentes e família”, adianta o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, que diz que a certa altura é preciso admitir que se chegou a um limite, momento de evitar sofrimentos inúteis através da prática de cuidados paliativos.

Ao que o Expresso apurou, o APHP não disporá de estudos internos globais das suas unidades associadas que permitam analisar se o tempo de internamento de pacientes em situações irreversíveis é ou não superior ao registado em nos hospitais públicos.