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28 histórias de mulheres mortas por quem dizia amá-las

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“Aqui morreu uma mulher” surge de um trabalho da revista Visão, que correu o país para contar as histórias das 28 vítimas mortais de violência doméstica, em 2015

Judite, Isabel, Conceição, Vânia, Ângela e Ana. Todas elas têm algo em comum: morreram às mãos do homem que um dia lhes jurou amor eterno. Estas são apenas seis das 28 mulheres que em 2015 “viram as vidas ceifadas em contexto de violência doméstica”. As histórias e imagens da tragédia dão mote a uma exposição da Visão, que na quarta-feira (8 de março - Dia Internacional da Mulher) é inaugurada no Largo Camões, em Lisboa. É aqui que durante as próximas duas semanas vão estar “as suas histórias - duras, tristes. Para que nunca mais ninguém olhe de lado”.

“É preciso divulgar, informar pôr o tema na ordem do dia. Ainda muita gente olha para lado em situações de violência doméstica. É preciso educar as pessoas”, diz Mafalda Anjos, diretora-adjunta da Visão. “Fizemos mais como uma causa do que como trabalho jornalístico”, acrescenta.

No começo do ano passado, ano em que se assinalou os 15 anos da passagem da violência doméstica a crime público, os jornalistas Teresa Campos e José Carlos Carvalho percorrerem o país para dar a conhecer as histórias das vítimas e fotografar os locais do crime. É o resultado deste trabalho que agora estará em exposição no Largo Camões, em Lisboa.

“[São histórias] que acontecem com gente comum e isso é muito impressionante. Pessoas do norte e sul, ricas e de classes mais desfavorecidas... Há um dos casos que aconteceu no dia de Natal. E há outros três em que os filhos assistiram a tudo”, conta Mafalda Anjos.

Em 2015 morreram 28 mulheres, vítimas dos maridos, namorados ou companheiros. Sete já tinham apresentado queixa junto das autoridades mas não lhes serviu de muito. Em 15 das histórias, o 'vilão' suicidou-se em seguida. Os restantes estão a aguardar julgamento.

Em 2014, já tinham morrido 42.

“Aqui morreu uma mulher” é inaugurada às 15h30 pelo primeiro-ministro António Costa. Estarão ainda presentes a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, o ministro Adjunto, Eduardo Cabrita e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina. Em breve, a exposição poderá sair da capital e “correr o país”.