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Tarek Dergoul: o ex-preso de Guantánamo que viajou com Jihadi John até Lisboa

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Mohammed Emwazi, também conhecido por Jihadi John

DR

É britânico, esteve na guerra do Afeganistão e garante que o MI5 sabia que era próximo de Mohammed Emwazi. Vive atualmente em Londres e condena as decapitações do carrasco do Estado Islâmico

Verão de 2011. Dois homens meteram-se num carro algures em Londres, atravessaram o Canal da Mancha e chegaram a Lisboa. Um deles era Mohammed Emwazi, que viria a ser conhecido como Jihadi John. O outro era Tarek Dergoul, o filho de um padeiro marroquino que esteve no Afeganistão em 2001 e foi preso em Guantánamo no ano seguinte.

O objetivo da viagem de três dias à capital portuguesa era o de angariar financiamento para os radicais islâmicos que começavam a ganhar terreno na guerra da Síria. Como o Expresso noticiou há poucas semanas, a missão viria a ser abortada pelas autoridades portuguesas e os dois homens acabariam por regressar a Londres de mãos a abanar.

Ao jornal britânico “The Sunday Times” deste domingo, Tarek Dergoul, de 38 anos, disse “não ter nada a esconder” e garantiu que nessa altura o MI5, os serviços de informações do Reino Unido, estavam a par do seu relacionamento com Emwazi, que ainda não era uma figura de relevo entre os jiadistas. Não deixou de condenar as decapitações realizadas por Jihadi John a reféns ocidentais. “Obviamente, não concordo com o que ele fez [na Síria]. Mas o que posso fazer? Não posso ter a minha vida arruinada só porque o conhecia”, declarou.

Tarek Dergoul recusou-se a fazer comentários ao semanário inglês sobre a sua presença em território português há cinco anos mas admitiu conhecer o homem com quem se encontraram em Lisboa. Trata-se de um sírio com quem esteve no Afeganistão e que se está em parte incerta na Europa.

Ainda segundo o “The Sunday Times”, com quem o Expresso tem realizado alguns artigos sobre o Estado Islâmico, o marroquino com nacionalidade britânica recebeu uma generosa indemnização por ter estado detido na prisão de alta segurança situada em Cuba entre 2002 e 2004. Tinha sido detido por haver fortes suspeitas de que pertencia à Al-Qaeda mas nunca chegou a ser condenado.

Dergoul e Emwazi

Um ano depois da viagem de carro a Lisboa, onde permaneceu por três dias, Mohammed Emwazi voltou a sair do Reino Unido. Dessa vez, porém, em direção à Síria, onde se alistou no autodenominado Estado Islâmico. Tornou-se no símbolo do terrorismo islâmico ao ser filmado de cara tapada a decapitar pelo menos sete reféns ocidentais durante o ano de 2014. O “The Washington Post” identificou o jiadista que se tornara no inimigo número um do Ocidente, em fevereiro de 2015. E nove meses depois, um drone abateu-o em Raqqa, a capital do autodenominado califado.

Quanto a Tarek Dergoul, vive na zona Oeste de Londres. Após sair de Guantánamo, acusou os norte-americanos de tortura e processou o governo britânico em 2007, alegando que o MI5 e MI6 tinham sido cúmplices dos interrogatórios “desumanos” a que foi submetido.

Ao “The Sunday Times” garantiu que as autoridades inglesas estariam a investigá-lo neste momento se estivesse a fazer algo de errado.

  • Jihadi John esteve em Lisboa

    MAI confirma a presença do carrasco inglês do Daesh em Portugal. O terrorista viajou acompanhado de dois ex-prisioneiros de Guantámo em 2011