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Flores voltam a ser atiradas para o rio Douro

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SÍMBOLO O monumento recebeu o nome de Anjo de Portugal, há 13 anos a velar pelas vítimas de Entre-os-Rios

RUI DUARTE silva

Quinze anos após a queda de parte do tabuleiro da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, familiares das 59 vítimas voltam esta sexta-feira às margens do Douro, para lhes prestar homenagem. Uma dor tão grande que o tempo não mata

Todos os anos, a 4 de março, um grupo de familiares das vítimas da tragédia de Entre-os-Rios páram para recordar quem já não está. Faltam 59 pessoas e, destas, há 36 corpos que nunca foram recuperados.

Este ano, tudo vai começar, esta sexta-feira, por uma visita ao Centro de Acolhimento construído e gerido pela Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios. A seguir, haverá uma missa solene na paróquia de Travanca, concelho de Cinfães, de onde uma das vítimas era originária e que, nestes 15 anos, ainda não tinha sido cenário de qualquer cerimónia religiosa.

Quando forem já 20h30, todos vão rumar às margens do Douro, onde, sob o anjo dourado de 20 metros de altura, erigido em 2003, sobre o memorial com as fotografias dos mortos, serão lançadas flores ao rio. Apesar de convidado pela associação, Jorge Coelho, ministro do Equipamento Social na altura em que a ponte caiu, não estará presente. Quem voltará ao cenário do acidente será Augusto Mourão Ezequiel, almirante da Marinha, que, há 15 anos, coordenou as operações de busca e salvamento.

Os familiares revelam estar longe de ultrapassar as perdas sofridas há uma década e meia. E, por isso, Augusto Moreira, presidente da associação, está a prepará-la para responder às necessidades destas pessoas. A organização foi criada para atender jovens em situação de risco - e não os envolvidos na tragédia -, mas a passagem do tempo tem demonstrado que a tristeza não amenizou e o terreno já está a ser preparado para alargar o âmbito de atuação da associação.