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Manuel Damásio sai em liberdade com termo de identidade e residência

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O ex-presidente do Benfica ficou proibido de contactar com os restantes arguidos do caso. Em causa estão crimes de branqueamente de capitais e tráfico de influência

O juiz de instrução Carlos Alexandre decidiu que Manuel Damásio, empresário e ex-presidente do clube de futebol Benfica, está proibido de falar com todos os arguidos, suspeitos e testemunhas que venham a ser ouvidos no âmbito da Operação Rota do Atlântico, mas não tem de ficar em prisão preventiva. O tribunal decidiu deixá-lo ficar em liberdade, com um termo de identidade e residência. O ex-presidente do Benfica está indiciado por branqueamento de capitais e tráfico de influência.

O inquérito-crime em curso no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que levou à prisão preventiva no início de fevereiro do ex-agente de futebol José Veiga, por indícios de corrupção em contratos obtidos no Congo Brazaville com o governo do presidente Sassou Nguesso, passou a ter cinco arguidos esta quinta-feira, depois de a Polícia Judiciária ter detido Damásio e de o empresário ter sido interrogado durante a tarde pelo juiz Carlos Alexandre e por Susana Figueiredo, a procuradora que lidera a investigação do caso.

De acordo com uma nota divulgada esta noite pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Damásio “foi indiciado por factos susceptíveis de integrarem os crimes de branqueamento e tráfico de influência”, sendo que o comunidado não adianta quais são os factos em causa. O ex-dirigente desportivo é dono e administrador de várias empresas do sector imobiliário.

As suspeitas sobre Manuel Damásio estão relacionadas, segundo apurou o Expresso, com as actividades de uma empresa em particular, a Onus – Investimentos Imobiliários, de venda e compra de casas, onde partilha a administração com Luiz Godinho Lopes, ex-presidente do Sporting.

Além de Damásio e de José Veiga, a Operação Rota do Atlântico tem no rol de arguidos um sócio de negócios de Veiga no Congo, Paulo Santana Lopes, irmão do ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes. Ambos estão indiciados por corrupção no comércio internacional e branqueamento de capitais. O DCIAP constituiu também como arguida uma advogada, Maria Castro Barbosa, que é também dona e administradora de várias empresas de mediação imobiliária, sobretudo na área do imobiliário de luxo. Há ainda um outro arguido cuja identidade não é publicamente conhecida.

De acordo com a tese do Ministério Público, José Veiga foi canalizando ao longo dos últimos anos muitos milhões de euros, alegadamente obtidos através de esquemas de corrupção no Congo, para investimentos imobiliários feitos em Portugal em nome de companhias offshore.