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Legionela no hospital da Régua. Doentes ainda não foram transferidos

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Legionella, a bactéria que assustou Portugal

Até ao momento, nem os bombeiros de Vila Real e de Lamego foram contactados para ajudar na transferência de pacientes e funcionários. Responsáveis do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro encontram-se no Hospital D. Luiz I, no Peso da Régua, a tentar resolver o problema causado por um surto de legionela

O Hospital D.Luiz I no Peso da Régua irá ser encerrado esta quinta-feira, devido a um surto de legionela. Contudo, ainda não se sabe ao certo para que unidades vão ser transferidos os pacientes e funcionários, ou quando. Pelo que o Expresso apurou, responsáveis do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) encontram-se, neste momento, na Régua, numa tentativa de resolver a situação.

Em declarações à Lusa, Francisco George, diretor-geral da Saúde, avançou esta manhã que 12 doentes já foram transferidos do hospital e que nenhum deles estava infetado com legionela. Mas uma fonte da unidade hospitalar, contactada pelo Expresso cerca das 10h40, refere que os doentes em causa “ainda se encontram internados à espera de transferência”. A mesma fonte precisou que os doentes a transferir são 15 e não 12.

A bactéria ficou circunscrita nas condutas do sistema de refrigeração e não passou para o exterior, acrescentou ao nosso jornal a fonte hospitalar.

“O sistema de vigilância da qualidade da água identificou a presença da bateria legionela e, uma vez identificada, foram tomadas as medidas”, disse Francisco George à Lusa. E adiantou: “O sistema de vigilância da qualidade da água identificou a presença da bactéria legionela e, uma vez identificada, foram tomadas as medidas, sublinho, em termos de boas práticas, que devem sempre ser tomadas: reduzir o risco dos doentes aí presentes, e do pessoal, em contrair a infeção“.

Até agora, nenhum dos hospitais da rede CHTMAD, que agrega ainda as unidades de Vila Real, Lamego e Chaves, confirmou algum pedido de recepção de pacientes provenientes da Régua, quando contactados pelo Expresso.

“Até ao momento, a nossa ajuda não foi solicitada", garantiu ao nosso jornal Rui Lopes, comandante dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua. Os Bombeiros de Vila Real também dizem ainda não ter recebido qualquer pedido de ajuda no transporte de doentes.

O surto legionela no Hospital D.Luiz I foi revelado esta quarta-feira pela Câmara do Peso da Régua. "A informação que temos também é pouca, mas o que nos informaram é que seria um surto de legionela e que teriam de encerrar o hospital na quinta-feira, transferindo os doentes e o pessoal", afirmou Nuno Gonçalves, presidente do município, citado pela agência Lusa.

O CHTMAD inclui os hospitais de Vila Real, Lamego, Chaves e Peso da Régua, unidade cujo encerramento esteve por diversas vezes em cima da mesa e que estava incluída na lista de hospitais que o Governo anterior queria devolver às Misericórdias.

A doença do legionário é uma pneumonia que afeta preferencialmente pessoas idosas, fumadoras, imunodeprimidas ou pessoas com doenças crónicas. A pneumonia provocada pela bactéria pode, em alguns casos, provocar a morte.

Em 2014, um surto da doença ameaçou o país, provocando 14 mortes.

Medida tomada a tempo

De acordo com Francisco George, a medida de desinfeção da unidade hospitalar foi tomada a tempo, uma vez que não há doentes com a doença dos legionários.

“Os doentes e o pessoal de serviço já estão a ser transferidos, logo depois vão iniciar-se as operações de desinfeção da rede predial daquele estabelecimento, que se faz através de um choque de cloro ou de um choque térmico”, explica.

Para o responsável, a forma como se fará a desinfeção terá a ver com aquilo que a rede predial suportará, lembrando que as colónias de bactérias da legionela “são eliminadas pelo calor, acima dos 60 graus”.

“Trata-se de uma medida de desinfeção que foi [tomada] ainda a tempo, uma vez que não há doentes com a doença dos legionários”, afirma, sublinhando tratar-se de “um exemplo de boas práticas: foi identificado um risco e esse risco foi eliminado”.

[Notícia atualizada às 10h49]