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Familiares de doentes do hospital da Régua queixam-se de falta de informação sobre legionela

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Hospital do Peso da Régua foi encerrado devido a um surto de legionela, mas os familiares dos pacientes internados queixam-se de não terem sido informados sobre o caso

Familiares de doentes internados no Hospital da Régua queixaram-se esta quinta-feira de manhã da falta de informações sobre o surto da bactéria legionela, surto que levará à transferência dos utentes e funcionários do hospital para Chaves.

"Só soube esta manhã pelas notícias da televisão. A minha mulher está aqui internada mas ninguém nos avisou ou deu qualquer informação até agora", afirmou aos jornalistas Manuel Silva, residente em Fontes, Santa Marta de Penaguião.

Preocupado pela transferência da sua mulher para Chaves, a mais de 100 quilómetros da Régua, Manuel não sabe como a poderá visitar, já que não tem carro nem conduz. "Ela foi operada em Vila Real, onde esteve 12 dias e agora, como lá precisam dos quartos, mandaram-na para aqui até ter vaga para fazer os cuidados continuados. Agora, diz que vão ser transferidos para Chaves e eu não acho isto nada bem", salientou.

O diretor-geral da Saúde já disse esta quinta-feira que vão ser transferidos 12 doentes do hospital da Régua, incluído no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), onde foi detetada a presença de legionela na rede de água, embora nenhum tenha contraído a doença dos legionários.

"Os doentes e o pessoal de serviço já estão a ser transferidos, logo depois vão iniciar-se as operações de desinfeção da rede predial daquele estabelecimento, que se faz através de um choque de cloro ou de um choque térmico", assegurou Francisco George à agência Lusa. Mas às 10h40 desta quinta-feira, a transferência dos doentes e funcionários ainda não se tinha iniciado.

Para o responsável, a forma como se fará a desinfeção terá a ver com aquilo que a rede predial suportará, lembrando que as colónias de bactérias da 'legionella' "são eliminadas pelo calor, acima dos 60 graus". "Trata-se de uma medida de desinfeção que foi [tomada] ainda a tempo, uma vez que não há doentes com a doença dos legionários", afirmou, sublinhando tratar-se de "um exemplo de boas práticas: foi identificado um risco e esse risco foi eliminado".

Nuno Gonçalves, presidente da Câmara da Régua, distrito de Vila Real, afirmou que ficou "muito mais descansado" depois de ouvir os esclarecimentos da Direção Geral de Saúde. "A transferência dos doentes é uma medida de prevenção. A informação que nos deram é que haveria dois pontos do hospital, que não os do internamento onde estavam os doentes, onde teria sido detetada a bactéria", referiu.

O autarca disse esperar que a situação seja resolvida "muito rapidamente" e que confia que a administração do centro hospitalar "tudo fará" no sentido de, "o mais rápido possível, debelar esta situação para que o hospital possam também retomar o seu funcionamento normal".

A doença do legionário é uma pneumonia que afeta preferencialmente pessoas idosas, fumadoras, imunodeprimidas ou pessoas com doenças crónicas. A pneumonia provocada pela bactéria pode, em alguns casos, provocar a morte.

Em 2014, um surto da doença ameaçou o país, provocando 14 mortes.