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Crime violento em Lourel. Assaltantes deixam revólver no carro roubado

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O alvo dos assaltantes era uma carrinha de valores que se encontrava à porta de um hipermercado em Lourel

MÁRIO CRUZ/LUSA

Um revólver deixado num dos Audi A3 roubados em que os assaltantes de uma carrinha de valores em Sintra tentaram fugir é uma das principais pistas seguidas pela Polícia Judiciária

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Dias depois do assalto a uma carrinha de valores à porta de um hipermercado em Lourel (Sintra), que levou à morte de um empresário de 49 anos na A16, a Polícia Judiciária continua à procura do grupo armado, que será constituído por seis pessoas. “Não se trata de uma caça ao homem, no sentido mais exuberante que se conhece da expressão. Mas antes de um trabalho de relojoeiro, em que vamos encaixando as peças até chegarmos aos culpados”, explica ao Expresso uma fonte da Polícia Judiciária.

Para já, uma das pistas mais importantes para os investigadores da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) centra-se num revólver abandonado num dos dois Audi A3 usados pelos assaltantes na tarde do último domingo. A arma pode conter informações consideradas importantes, como impressões digitais e ADN dos suspeitos, ou estar relacionada com algum crime anterior realizado pelo grupo. As análises forenses estarão a ser realizadas em tempo recorde, de modo a ser possível obter mais dados sobre a identidade de pelo menos alguns dos seis elementos.

Os cartuchos das armas disparadas contra o Mercedes onde seguia João Carlos Silva, a vítima mortal do assalto, e a sua família, também estão a ser analisados. Bem como o interior dos dois Audi A3 roubados, que foram usados durante a tarde do último domingo pelos assaltantes e que acabaram por ser abandonados: um no parque do hipermercado e o outro no meio da A16, depois do despiste da viatura: “Qualquer vestígio encontrado nas carrinhas será importante”, refere uma fonte próxima da investigação.

Mas mesmo que os assaltantes tenham deixado marcas, não significa que sejam de imediato identificados. “Há casos semelhantes de assaltos violentos em que os culpados nunca foram encontrados apesar da existência de provas forenses. Basta tratar-se de cidadãos estrangeiros ou não terem cadastro criminal para complicar a vida dos investigadores”, salienta a mesma fonte.

O Expresso sabe que os seis homens residem na área da Grande Lisboa e serão autores de pequenos furtos à mão armada. Segundo o “Diário de Notícias”, poderão estar ligados a três assaltos recentes à mão armada a carrinhas de valores, ocorridos em dezembro do ano passado e em fevereiro deste ano, na área da Grande Lisboa. Mas uma fonte judicial garante que este “é mais um dado a ser avaliado pelos inspetores” e “não está confirmado, pelo menos para já”, acrescenta.

Até ao fecho da edição, o grupo continuava a monte. Conseguiram iludir a PJ e a PSP, fugindo em direção ao concelho de Mafra.

Mais ou menos violência?

A violência utilizada pelos suspeitos depois de fugirem com um saco com dinheiro tem várias explicações para as fontes ouvidas pelo Expresso. Uma das teorias mais repetidas é a de que não estavam a contar com imprevistos, como o do despiste na A16, e sentiram-se encurralados: “Sabiam que se ficassem ali na autoestrada ou fugissem a pé seriam apanhados pela polícia em pouco tempo. Aquela zona é um descampado com poucos locais para se esconderem. Dispararam para os carros com o objetivo de garantirem a fuga.”

Todos são unânimes em considerar que “não se tratou de um homicídio premeditado”.

Os dados mais recentes do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), referentes ao ano de 2014, indicam que a criminalidade violenta e grave desceu 5,4% em relação ao ano anterior. Mas uma fonte policial lembra que basta um caso como o de Lourel, “para estilhaçar a ideia de que a violência nos assaltos está a baixar”.

Em todo o caso, o jornal “Público” fez as contas e conclui que só em fevereiro registaram-se quatro roubos a carrinhas de transporte de valores em Portugal, o último dos quais teve lugar esta segunda-feira, em Vialonga (Vila Franca de Xira). Aparentemente baixo, o número é, porém, o triplo da média mensal registada no último RASI, que no total de 2014 registou 17 ataques deste tipo, que se inscrevem na chamada “criminalidade violenta” ou “grave”.

O filme dos acontecimentos

Às 14h deste domingo, seis homens encapuzados e armados assaltaram uma carrinha de valores junto à entrada de um hipermercado em Lourel. O grupo chegou ao local em dois Audi A3 roubados, fez disparos para o ar e partiu com um saco de dinheiro ao volante de uma das viaturas. A outra ficou estacionada no parque do hiper.

Em excesso de velocidade na autoestrada A16, o condutor perdeu o controlo do Audi e acabou por se despistar, deixando a viatura destruída. Os homens, que saíram ilesos do acidente, dispararam sobre um Mercedes que circulava perto deles, atingindo o condutor, de 49 anos. Apesar dos ferimentos, a vítima conseguiu prosseguir a viagem até às portagens do Algueirão, acabando por morrer horas mais tarde, a caminho do Hospital de São Francisco Xavier.

O grupo conseguiu intimidar uma outra condutora que seguia ao volante de um Citroën C3. “Apontaram-me as armas e tive de fugir dali”, contou a mulher ao “Correio da Manhã”.

Nas horas seguintes, a Polícia Judiciária e a PSP tentaram apanhar os assaltantes mas acabaram por não conseguir. O Citroën C3 terá seguido em direção a Mafra.